Editorial - Liberdade sob ataque

Publicado sábado, 20 de março de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 19/03/2021, 21:31 | Autor: Da Redação

Age mal quem mobiliza recursos para privar a sociedade brasileira do direito de expressão, uma vez ser a prerrogativa da liberdade de manifestar-se pilar canônico da democracia, especialmente as frágeis, debitando-se aos efeitos da educação precária.

O sofrimento dos acometidos por sintomas de Covid-19, à espera de um leito, soma-se à epidemia de autoritarismo a atentar, em funesto eclipse, as instituições reerguidas em renhidas batalhas, nos anos 1980.

A odiosa, hedionda e ultrapassada Lei de Segurança Nacional desnuda face horrenda, agora às escâncaras, dos ocupantes do poder, em sua sanha persecutória, às vésperas de celebrarem memórias do 1964.

Utilizada no período da mais recente ditadura civil-militar, tendo o Brasil jejuado 25 anos, sem eleições diretas para presidente, o instrumento dir-se-ia melhor como “Lei de Segurança para Regime de Exceção”.

Tomando por premissas ser esta legislação retrocesso; e sua aplicação contra jovens em vários estados, conclui-se a mocidade ser forçada a beber do fel do atraso, a ruborizar, quem sente vergonha, hoje, do país verde-amarelo.

Chegaram a ser detidos brasileiros, na emblemática Praça dos Três Poderes, em Brasília, após ação crítica à gestão da pandemia, ao abrirem faixa onde lia-se a inscrição “Bolsonaro Genocida”, disseminada nas redes de oposição.

A prisão sucedeu ao ataque contra o ativista de internet Felipe Neto, intimado a depor, após adjetivar o presidente, com o predicado de potencial incômodo, transformado em ato, ao vir a público em frequência.

A ameaça do frenesi repressivo copula com a criminalização do pensamento, gerando monstros filhos, em tortura ao livre-pensar necessário à democracia: logo, é correto o argumento em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).

Cônscia dos deveres, a saudável cidadania não se nega à clava forte, e, se preciso, vai à luta, como tem sido a história deste país, danado ao lusco-fusco, renegando o ideal de pátria livre, em momento das baixas luzes do crepúsculo entristecedor.

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