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Editorial - Menos fogo, mais ações

Leia o editorial do jornal A TARDE desta segunda-feira, 27

Redação
Por Redação
Cerrado é o bioma mais pressionado pelo fogo
Cerrado é o bioma mais pressionado pelo fogo - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados confiáveis do Relatório Anual do Fogo, do MapBiomas, oferecem projeção animadora para o Brasil, embora não desdobre em forte razão para entusiasmo. É aquela situação recorrente, quando alguém afirma ter notícia boa para dar e, no caso em tela, algumas ruins, perguntando qual delas queremos saber primeiro.

A notícia boa: em 2025, a área queimada no país caiu para 12,7 milhões de hectares, o menor índice desde 2018, um alívio, apesar de seguirmos perdendo. O efeito pode ser comparado ao contexto de jogo no qual uma equipe sendo fragorosamente derrotada, consegue reagir – e celebrar, apesar do placar adverso.

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O resultado representa uma redução de 58% em relação a 2024 e ficou 31% abaixo da média histórica, demonstrando espírito de luta no enfrentamento aos incêndios. É como um incentivo, pois implica acreditar na virada, quando além de estancar o fogo, será possível migrar de sonho para realidade o necessário reflorestamento.

Nada há de abstração, magia ou misticismo neste trabalho materializado com planejamento, fiscalização e coordenação entre diferentes esferas de governo. O método já consagrado para seguir melhorando é aumentar a fiscalização e o combate incessante às queimadas, além das tentativas de educação ambiental.

Agora, as notícias ruins, a começar pela concentração de 70% da área queimada no Cerrado, confirmando sua condição de bioma mais pressionado pelo fogo. Já a Caatinga foi a única região a registrar índices acima da média histórica, logo, importa aos gestores concederem total atenção e maiores volumes de investimento.

Outro alerta é a repetição das queimadas nos mesmos locais. Segundo o levantamento, 64% das matas foram atingidas mais de uma vez desde 1985. Na Amazônia, a situação preocupa ainda mais: muitas áreas voltam a pegar fogo em intervalos muito curtos, comprometendo a capacidade de regeneração.

Conclusão: a redução registrada em 2025 deve ser celebrada, mas não pode gerar acomodação porque a proteção dos biomas brasileiros exige ações permanentes.

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