Busca interna do iBahia
HOME > OPINIÃO

OPINIÃO

Editorial: Os tentáculos da machosfera

Confira a coluna Editorial deste domingo

Redação
Por Redação
Editorial discute a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais
Editorial discute a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais - Foto: Ilustrativa | Freepik

A internet hoje virou um arsenal e as mulheres estão entre os alvos, a partir de um território virtual chamado “machosfera”.

Criada com o objetivo inocente de distribuir conhecimento, visando construir um mundo melhor, sem necessidade de governo, a internet hoje virou um arsenal. As mulheres estão entre os alvos, a partir de um território virtual chamado “machosfera”, por meio do qual se divulga a misoginia.

Tudo sobre Opinião em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Por este motivo, chega em momento oportuno o guia “No mesmo time”, editado pelas Nações Unidas, utilizando-se a linguagem do “futebolês”. Embora não tenha “apito” nem “VAR” para assinalar o clamoroso impedimento dos discursos machistas, o manual de prevenção une-se aos gritos de alerta já emitidos por França e Suécia.

Antes restritos a nichos obscuros do lado B da rede mundial, os discursos de ódio contra mulheres, desde meninas, hoje são repercutidos por milhões de adolescentes.

Já há verbetes bem disseminados, de um dicionário tecnofascista farto em idiotices ‘engraçadas’, normalizando os falares de “redpillado”; “alfa”; “beta” e “femoids”.

Sabe-se há mais de século, com a virada linguística, o quanto o ser faz morada na linguagem, de onde se pode agravar o peso simbólico e político da palavra. Influenciadores, esta ambígua figura transitando entre comunicador e propagador de costumes, conseguem persuadir com facilidade os mancebos da web.

Começam falando de musculação, empreendedorismo ou espiritualidade e por este caminho pavimentam narrativas culpando mulheres pelas frustrações masculinas. Quando esses discursos chegam às timelines de TikTok, YouTube e Instagram, passam a fazer parte do fluxo automático de referências para novas identidades.

Em um país onde a maioria dos jovens acessa a internet pelo celular, ignorar esse processo seria negligência, mas as autoridades bem intencionadas parecem perdidas. Os tentáculos do monstro espalham 23 milhões de inscritos em canais misóginos no YouTube; três entre cada dez homens já acreditam na servidão feminina. A machosfera não é movimento organizado, sua força consiste na descentralização, espalhando-se múltiplas vozes para ecoar a insana e desumana hierarquia

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Cultura de violência discurso de ódio empoderamento feminino influenciadores digitais Machosfera Misoginia

Relacionadas

Mais lidas