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EDITORIAL

Gingas da Boa Terra

Confira o Editorial do Jornal A TARDE

Editorial
Por Editorial
Imagem ilustrativa da imagem Gingas da Boa Terra
Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE

Está valendo o reconhecimento oficial do Estado, e do seu atual governo, visando salvaguardar a prática da capoeira, ao regulamentar-se a Lei Moa do Katendê, primeira vítima da violência incentivada na narrativa oficial da Presidência da República, nos anos sombrios de 2019 a 2022, tendo sido o mestre assassinado por extremista de direita.

O governador Jerônimo Rodrigues fez questão de solicitar as providências do cerimonial a fim de comparecer ao Colégio de Tempo Integral Zumbi dos Palmares, no bairro do Beiru (atual Tancredo Neves), dada a importância do ato, pois o tipo multihíbrido “dança/luta/esporte/arte” sobreviveu até aqui graças a redes de articulações deste naipe.

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Jerônimo praticou os recursos da boa didática, acumulados em seu ofício de professor dedicado, e recorreu ao tema da redação do Enem para posicionar a trincheira antirracista: Desafios para a valorização da herança africana no Brasil. A Bahia escreveu um bom parágrafo deste texto ao apoiar as rodas animadas ao berimbau.

Ser um capoeirista, até outro dia, significava um potencial assassino, e muito antes, na escravidão, seus adeptos tinham de se esconder em matas fechadas e de difícil acesso para trocar uns rabos de arraia porque havia sempre o risco da repressão implacável dos capitães do mato, lambe-botas dos genocidas rurais, como ainda hoje os há.

Por tudo autêntico, único e dotado de aura, o aparente brinquedo, envolvendo canto e gingado específicos, venceu o aparato matador dos invasores europeus e manteve-se nas periferias, juntando gente, aprendendo a defender-se em manobras tão belas quanto certeiras, a ponto de cogitar-se a inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos.

A resistência, no entanto, não se explica em argumentos flácidos, verificando-se a alta probabilidade de utilização de táticas assemelhadas às anarquistas, como forma de prevalecerem os encontros clandestinos e outras formas de ajuste aos ritos socialmente aceitos, tornando o “paranauê, paraná!” curso obrigatório em escolas de classe média da atualidade.

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