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Medalha antirracista

Confira o Editorial do Jornal A TARDE desta quarta-feira, 7

Publicado quarta-feira, 07 de fevereiro de 2024 às 05:00 h | Autor: Editorial
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A luta contra o racismo ganha impulso quando há iniciativa pública de ampla repercussão, como é o caso da Medalha do Mérito Legislativo concedida ao jogador Vinícius Júnior, em cerimônia programada para hoje no Congresso.

O Parlamento logra alinhar-se, uma vez mais, ao clamor da sociedade civil no sentido de combater continuamente a chaga capaz de acompanhar a injustiça das desigualdades, uma vez serem os pretos os despossuídos.

A honraria, criada em 1983, é outorgada a pessoas e entidades com prestação de serviços relevantes ao Brasil, considerando, no exemplo do atleta, a resistência à perseguição sofrida nos estádios europeus por sua origem afro.

Destaque do Real Madrid, o atacante tem sido a vítima preferencial de parte das torcidas distanciadas dos melhores valores desportivos, respondendo com seu talento e futebol eficiente aos vilipêndios inaceitáveis para a civilização.

A ideia de organizar a solenidade partiu da deputada federal Maria do Rosário, segunda secretária da Câmara, ao disseminar para a coletividade a certeza do apoio ao atleta, manifestando irrestrita solidariedade ao cidadão brasileiro.

Os insultos vêm sendo repetidos, sem funcionarem as medidas propostas pela Comissão antiviolência da Federação espanhola, registrando-se gritos e imitações de animais não-humanos, preferencialmente macacos e gorilas.

A mesma Espanha cujos migrantes foram generosamente acolhidos na Bahia, misturando-se às etnias locais, nos anos 1930, quando a fuga da guerra civil provocou o desesperado êxodo, principalmente da província da Galícia.

O mais recente episódio de estupidez verificou-se na partida entre os madridistas contra o clube Getafe, na casa do adversário, no Coliseum Alfonso Pérez, dando sequência a absurdos proferidos desde 2021, em infame escalada.

Serve, assim, o futebol, como manifestação cultural de alcance planetário, de metáfora para o cotidiano, no qual os dotados de melanina são tratados por subumanidade, resquício de ideologias abjetas despertadas nos últimos anos.

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