OPINIÃO
O clamor por Orelha
Editorial de A TARDE desta segunda-feira, 2

Inaceitável e inadmissível a demora protetiva da polícia de Santa Catarina na investigação do caso do animal comunitário Orelha. A impunidade se impõe, pois escaparam de ser apreendidos os quatro adolescentes envolvidos no asqueroso enredo.
O martírio de Orelha, submetido a dor e sofrimento indizíveis, revela a doença social da violência juvenil, ao alcançar o auge da covardia. Não se descarte a hipótese do mau exemplo de adultos violentos, além da perniciosa influência de sites e plataformas.
A atuação em ritmo quelônio da instância repressiva revela o quanto o país é mole no quesito da proteção aos animais, pois há leis rijas e bastantes. O artigo 225 da Constituição Federal previne contra crueldade, justificando a defesa de seres sencientes – capazes de sentir e desenvolver afetos. Há ainda a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998) e o Decreto Federal nº 24464/34.
Em Salvador, a Lei Municipal nº 9499/2019 está em vigor, mas boletins de ocorrência são arquivados, como se vê na Rua Purus – onde os maus tratos são frequentes. Caçadores exibem-se como heróis, representando caveiras em estandartes de psicopatia, traduzindo bestialidade na torpeza de caráteres doentios.
O Estado brasileiro, por meio de seus três poderes, precisa enfrentar o problema, não como isolado ou específico. Trata-se de um tumor de grave desequilíbrio social. O convívio, contaminado por tamanha brutalidade, compromete o futuro do país, por meio de crenças estúpidas baseadas no mal que a força sempre faz.
Manifestações indignadas em atos públicos constituem uma boa maneira de a cidadania engajada exercer pressão. A luta por justiça faz de Orelha símbolo da luta antiespecista, refletindo o anseio por mudar o paradigma.
Quem não aprendeu a conter sua malvadeza, não pode ficar solto para seguir torturando e matando. Ou se corrige já esta monstruosidade ou o culto fascista à morte e ao ódio vai continuar desafiando o amor e o convívio suave entre todas as espécies. Orelha vive na luta pelo Bem.
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