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O desafio da Copa

Confira o Editorial desta quinta-feira

Redação
Por Redação
Imagem ilustrativa da imagem O desafio da Copa
Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

Os princípios consagrados pelo desporto colidem frontalmente com o padrão verificado no comportamento da principal sede, permitindo antever uma Copa do Mundo tensa. O valor maior da confraternização não faz sentido quando se sabe do perfil inamistoso e hostil dos Estados Unidos.

A bola rola hoje às 4 da tarde de Brasília, com o jogo México x África do Sul, mas o despreparo dos anfitriões para o bom convívio já registra ocorrências despropositadas. A federação de futebol do Irã, país ao qual Trump tentou derrotar, sem êxito, queixa-se de terem sido negadas cotas de ingressos, além de restrições prejudiciais de mobilidade.

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Os jogadores islâmicos, hospedados no México, terão de entrar e sair dos Estados Unidos em período já próximo aos jogos, submetidos ao estresse físico e emocional da rejeição e da falta de antecedência para adaptação.

Uma das principais revelações da arbitragem, Omar Artan, da Somália, não pôde ficar, mesmo tendo visto válido, em nova truculência típica da delirante política migratória. O atacante iraquiano Aymen Hussein foi detido e interrogado por quase sete horas em Chicago, enquanto o fotógrafo da seleção foi mandado de volta a Bagdá.

A influência de supremacistas brancos no alto escalão do governo corresponde à humilhação de uma revista exagerada nas bagagens de roupas da delegação do Senegal. No caso do Uzbequistão, foi acrescentado ao rigor desproporcional a utilização de cães farejadores treinados para encontrar drogas, em suspeita senão inédita, exagerada.

A Fifa, entidade a qual caberia ajudar a conter os efeitos do transtorno estadunidense, prefere manter distância, assistindo ao tesouro humanitário ser conspurcado. Momento solene no qual, de quatro em quatro anos, as nações se unem para jogar bola, fruindo a arte dos dribles, desta vez, a competição ameaça renegar suas origens.

Criada por Jules Rimet e os dirigentes pioneiros, para servir ao projeto iluminista da “paz perpétua”, a Copa enfrenta o desafio de sobreviver ao inóspito ambiente.

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