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EDITORIAL

O sachê das angústias

Confira o editorial deste domingo, 2

Redação
Por Redação
Entre o vício e a desinformação: a ascensão dos sachês de nicotina e o alerta para a saúde
Entre o vício e a desinformação: a ascensão dos sachês de nicotina e o alerta para a saúde - Foto: © Joédson Alves | Agência Brasil

O desespero humano, diante da falta de resposta para a escalada de dúvidas de um mundo em desencanto, encontra novo falso amparo no uso do sachê de nicotina. A forte sensação de vácuo existencial, em meio a retrocessos civilizatórios e convívios em crise, tem na prática viciosa mais uma ilusão para a psique e o corpo.

Como na fumaça das opções preferenciais, o cigarro e o “vape”, o tolo acalanto chega a ser patético, desta vez no efeito da rápida absorção pela mucosa bucal. No caso da novidade, uma tontura improdutiva e rápida antecede a impotência resultante de quem adiciona a nicotina em alta concentração.

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Entre a queda lenta do tradicional “arromba-peito” e a ascensão meteórica do eletrônico, os sachês das angústias denunciam a falta de valores – exceto o financeiro. A briga é a seguinte: a indústria enxerga a viabilidade na mecânica de mercado e a saúde pública quer proteger a população, especialmente os jovens e os vulneráveis.

O interesse pelo produto explodiu, crescendo na fertilidade da desinformação e da lacuna de regras: na Bahia, as buscas cresceram 310%; no país, mais de 1.200%. A “fofoca” virtual dos influenciadores contribui com a curiosidade do consumidor, propagando a mentira da redução de danos para quem se arrisca à modalidade.

Erros e mentiras sobrepõem-se à verdade, como na arqueologia, o escombro oculta a essência; a liberação intensa de dopamina reproduz o ciclo de dependência. Somem-se taquicardia, aumento da pressão arterial e danos à saúde bucal com agravante do uso em qualquer lugar, sem cheiro, sem fumaça, sem o braço da lei.

A consulta pública da Anvisa recebeu 171 contribuições, atualizando a potência de um debate em migração da bolha técnica dos especialistas para a arena pública.

O Brasil enfrenta agora um desafio já experimentado na questão das bets e outras: como conciliar liberdade individual, proteção à saúde e interesse de investidores. Ou, por outro prisma, o Estado brasileiro questiona a si mesmo, quando é impossível harmonizar forças opostas.

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nicotina.

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