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O voto das mulheres

Confira o Editorial desta segunda-feira, 13

Redação
Por Redação
Imagem ilustrativa da imagem O voto das mulheres
Foto: TSE

Um novo surto de reacionarismo, nascido nos Estados Unidos, propõe atacar o voto feminino conquistado pela campanha das sufragistas. Coube ao auto-exilado portador da debilidade, Paulo Figueiredo, representar, uma vez mais, o legado do avô, o último ditador João Figueiredo.

A menção desta herança não seria necessária, até para evitar a contrariedade da divulgação, mas sabe-se o quanto o holofote tem capacidade de dissolver o breu. Segundo o parvo afeiçoado a uma pátria alheia, mulheres “votam mal”, premissa incompatível com o básico princípio da igualdade política entre cidadãs e cidadãos.

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Pleiteia o insensato, com apoio de um desses pequeninos partidos messiânicos, substituir o voto individual pelo artifício de um voto de “família”. Combina com o comportamento desses biltres do novo fascismo o seu discurso misógino – sofrem de desabrida aversão às mulheres –, assim deixando-se desvelar.

Frequenta esta malta, predisposta a delinquir, os cultos daqueles que pregam ser a mulher o pescoço, enquanto o homem é o cabeça, capaz de pensar melhor pelo casal. A trama faz parte de um movimento global, regurgitado na internet, tentando desenterrar excrementos de um passado autoritário associado a teorias integralistas.

Age bem e no tempo adequado (ou seja, agora) a Bancada Feminina, ao representar à Procuradoria-Geral da República visando providências cabíveis. Em ano eleitoral, discursos desqualificando a autonomia política das mulheres não são apenas ofensivos: são confessamente criminosos e devem ser rechaçados.

Eis uma ótima oportunidade para se distinguir o conceito de “liberdade de expressão” do crime de “ataque à democracia”, ameaçando as mulheres e suas vitórias. A Constituição é explícita ao garantir o sufrágio universal, e qualquer proposta de sujeição do voto feminino à tutela masculina viola esse fundamento.

O Brasil precisa atentar para esse debate com proporcional seriedade, pois não se trata de polêmica nas redes sociais, mas de proteger conquistas das mulheres.

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