OPINIÃO
Os heróis das letras
Confira o Editorial deste sábado, 11


Uma das condições necessárias para a soberania e independência de um país é o letramento de seu povo, razão pela qual têm sido insistentes as tentativas. A mais recente é a formalização do acordo entre o Ministério Público da Bahia e 25 municípios visando fortalecer políticas de alfabetização.
A iniciativa acontece 100 anos após Cosme de Farias fundar a Liga Baiana Contra o Analfabetismo, ao manter escolas voltadas para as crianças empobrecidas. O objetivo é o mesmo, como também o da Lei nº 25.668/2025, ao criar o Programa Bahia Alfabetizada, investindo R$ 6 milhões para distribuir 350 mil livros.
O esforço de articulação para alfabetizar tem agora a participação do MP, saindo da característica de fiscalização para tornar-se sujeito. Garantir às crianças o aprendizado de leitura e escrita, em 25 municípios, dos 417 da Bahia, deve vir a ser uma boa contribuição pelo senso de associativismo.
Já há planos em execução de âmbitos federal, estadual e municipais, portanto, vale o esforço de coordenar tantas propostas, adicionando esta do guardião constitucional ao cenário no qual o combate ao analfabetismo permanece como tarefa coletiva, permanente e inconclusa. Seria o trabalho número 13 de Héracles, se lembrarmos a origem de um país onde os pedidos de impressão de cartas de baralho às gráficas superavam os de livros.
O agravante do mau costume das elites portuguesas, continuado depois do Dois de Julho, produz a percepção do alcance político do contexto, pois a leitura liberta. Já não se sequestram bibliotecas, tampouco publicações são tratadas como tráfico, a exemplo das drogas ilícitas atuais, mas a infância segue carente do acesso ao saber. Pela quantidade de projetos, todas e todos já deveriam saber decifrar o mundo, no entanto, apesar dos avanços, ainda há escassez na educação básica.