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Perigosas misturas

Confira o editorial do jornal A TARDE deste sábado

Redação
Por Redação
Imagens registradas, na manhã da terça-feira (10), mostram a fachada da academia C4 Gym vandalizada por pichações após a morte de Juliana Bassetto, vítima de intoxicação no último sábado (7)
Imagens registradas, na manhã da terça-feira (10), mostram a fachada da academia C4 Gym vandalizada por pichações após a morte de Juliana Bassetto, vítima de intoxicação no último sábado (7) - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Precisou uma pessoa ir a óbito para chorar-se, sobre o cloro derramado, o perigo representado na mistura de produtos de limpeza, destacando-se a óbvia imprudência. Com embalagens lindas, estampando flores, com nomes graciosos e atraentes, sem destacar a referência a riscos, talvez seja boa ideia uma lei para obrigar as indústrias a acrescentar avisos visíveis de alerta nos rótulos.

O caso do cloro na piscina, matando uma jovem, em São Paulo, traduz condutas irresponsavelmente reproduzidas, inclusive dentro de nossas próprias casas. O absurdo aparece de forma muito incisiva, quando a busca de uns bons momentos de natação vira inesperada finitude, gerando forte e compreensível indignação.

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Implica também pensar no grau da responsabilidade na oferta de serviços em todos os negócios: não é correto ganhar dinheiro expondo a clientela a sofrimento. Como aquela piscina cheia de ratos, aludida pelo poeta, as ideias não correspondem aos fatos quando se retribui com reações tóxicas o pagamento do boleto.

Um agravante neste contexto perigoso é a crença nos meios digitais, copiando-se receitas miraculosas de influencers, os curandeiros da internet. Uma dose a mais de combinações tipo vinagre com bicarbonato ou água sanitária pode produzir estragos como ocorreu na overdose de cloro na piscina. As primeiras investigações da polícia apontam para a imprudência de ter sido derramado em uma só porção o equivalente ao volume de toda a semana.

O simples gesto de evitar o serviço de cuidar do espaço todos os dias, com a proporção devida de cloro, gerou dor e revolta, sugerindo uma reflexão. Não compensa o crime da negligência homicida, com dolo eventual, assim como na lida doméstica um erro na manipulação das fórmulas pode fazer mal.

Aparentemente inofensivas, as poções visam geralmente atualizar a potência de produtos, mas geram compostos imperceptíveis, prejudicando o organismo. Tontura, dor de cabeça, olhos irritados, ardência ao respirar, náuseas e vômitos são alguns sintomas, sugerindo-se não demorar a ir ao pronto-socorro.

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cloro São Paulo

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