OPINIÃO
Plano de sobrevivência
Confira o editorial do jornal A TARDE, desta sexta-feira, 3


Entre as fontes de ansiedade, o enfrentamento da natureza vem ganhando de sobeja das duas outras: a própria degradação corpórea devido à velhice e as incompreensões do convívio humano. As mudanças climáticas produzem este novo cenário, merecendo organização proporcional, como se vê na ampliação da Força Nacional do SUS.
O objetivo do Ministério da Saúde é o de responder a emergências de qualquer parte do país no máximo em 12 horas, visando salvar vidas e proteger patrimônios. A adaptação implica saber distinguir, sem hesitação:
A angústia: gerada na decisão pessoal para agir;
O medo: sentimento relacionado a algo externo e fora de controle.
Com as estratégias, a ideia é reduzir a angústia, porque a Força Nacional terá opções de escape, como também o medo, pois aumentam as chances de defesa. A medida acrescenta o mérito político da conscientização, ao derrotar versões negacionistas, segundo as quais proteger a cidadania seria “alarmismo”.
A realidade se impõe demasiado inclemente: eventos extremos deixaram de ser exceção como notícias e passaram a fazer parte do cotidiano nacional. Secas prolongadas, enchentes, deslizamentos, queimadas e ondas de calor cada vez mais intensas têm provocado impacto direto de doenças na população brasileira.
Diante desse cenário, recupera-se o provérbio milenar: “premeditatio malorum”, sugerindo a vantagem de quem antevê um mal a ponto de criar meios de vencê-lo. Seria reduzir a capacidade de inteligência seguir uma tática ineficiente de agir apenas depois das ocorrências, remontando a uma das primeiras fábulas.
Na origem da humanidade, havia dois deuses gêmeos: um que pensava antes de agir (Prometeu) e outro que pensava depois de agir (Epimeteu). Trazendo este contexto da teogonia para os dias atuais, obviamente pensar antes de agir torna-se uma ação de sobrevivência, valendo-se da virtude da prudência.
Migrando da narrativa e do planejamento, vale conferir, na prática do socorrismo, como vão se guiar as equipes de salva-vidas diante dos cataclismos.