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OPINIÃO

Que cidade é essa que se verticaliza?

Angelo Serpa | Professor titular da UFBA e pesquisador do CNPq | angserpa@ufba.br

Por Angelo Serpa | Professor titular da UFBA e pesquisador do CNPq | [email protected]

18/01/2017 - 13:01 h

Convido o leitor a pensar em uma cidade de 131 mil habitantes, onde os empreendedores imobiliários disputam a construção de prédios cada vez mais altos. Se, hoje, o prédio mais imponente possui 45 andares, logo, logo, em 2019, surgirá uma torre de 74 pavimentos; outro edifício, com 66 andares, ainda não tem previsão de entrega.

Esta cidade é o Balneário Camboriú, em Santa Catarina, a 78 km de Florianópolis, um dos destinos turísticos mais disputados do país (média de 2 milhões de turistas no verão). Lá, hotéis tradicionais, como o Camboriú Palace e o Fisher, foram demolidos após décadas de atividades para ceder lugar a torres residenciais de luxo com não menos de 30 andares. Nesses novos empreendimentos um apartamento pode custar até 10 milhões de reais.

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Se em Camboriú a verticalização se aprofunda a olhos vistos, a situação não é diferente em áreas de valorização imobiliária em Salvador, onde torres cada vez mais altas vêm sendo erguidas na Orla Atlântica e adjacências sem estudos efetivos de impacto. E isso ocorre não só próximo às praias, onde a questão do sombreamento é a grande preocupação (em Camboriú alguns trechos de praia já estão sombreados às 14 horas!), mas também em bairros valorizados e com pouca disponibilidade de espaço para novos prédios. Casas são demolidas para dar lugar a edifícios (bem) mais altos.

R$ 10 milhões

Apenas para citar um exemplo, lembre-se do bairro da Graça. Partindo do Largo da Vitória, até o final da Avenida Euclides da Cunha, conta-se pelo menos dez torres em construção. No Largo da Vitória, um prédio residencial de luxo com 40 andares chama atenção, especialmente pelo impacto que certamente já provoca na paisagem soteropolitana. A torre é um elemento de distorção visual do frontispício da cidade, também quando a vemos de longe, seja a partir da Ilha de Itaparica, seja a partir da Cidade Baixa. No final da Euclides, outro prédio de 30 andares causa vertigem ao passante desavisado.

Vemos que o que é valorizado nesses empreendimentos é a vista que se abre a partir destes apartamentos, ou seja, quanto mais alto, mais caro. É um mercado de luxo e muito dinâmico que sofre menos os impactos da crise econômica no país. Isso faz pensar que esta cidade que se verticaliza se organiza como um edifício de ópera, onde os lugares com menos visibilidade são os mais baratos e aqueles com melhores visadas para o palco os mais caros.

E é preocupante perceber que há em Salvador colecionadores de apartamentos de luxo e investidores – nem sempre soteropolitanos – que, apesar de pouco numerosos, podem causar grandes e irreversíveis impactos na paisagem. Com prejuízos divididos com toda a população, inclusive com aqueles que vivem e sobrevivem do turismo.

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