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OPINIÃO

Racismo em duas medidas

Confira o editorial do jornal A TARDE deste sábado

Redação

Por Redação

07/02/2026 - 10:39 h

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President Donald Trump (Official White House Photo by Daniel Torok)
President Donald Trump (Official White House Photo by Daniel Torok) -

O combate ao racismo voltou ao tema do dia após a prisão de uma advogada argentina e de um vídeo de Donald Trump auto proclamando-se rei da selva. As duas notícias sinalizam o quanto o tema é capaz de mobilizar afetos, embora não se deva igualar moralmente as divergências.

Como de praxe, enxergou-se acima de bem e mal o boquirroto, ao aparecer como supremacista diante do suposto primata Barack Obama. Foi de uma fidelidade canina a si mesmo e a seu perfil asquerosamente preconceituoso, o chefe de estado afeiçoado a festinhas infanto-juvenis.

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O vídeo, divulgado no Mês da História Negra, reflete um gesto premeditado, acionando memórias afetivas de desumanização. Esta gramática racista é antiga e pode considerar-se decalcada no cinema, pela analogia com Tarzan, o branco fortão capaz de matar leões e jacarés. O avanço do ideário, cujo auge teria sido o antissemitismo dos nazistas, reforça a candidatura de Trump a herdeiro de Hitler, apregoando um novo arianismo.

A sandice do presidente contrasta com o crime cometido no Brasil pela cidadã argentina Agostina Paez, pois neste caso, enfim, o racismo saiu perdendo. Pode-se lamentar o desvio moral da acusada, afinal, não se deve comemorar uma prisão preventiva, pois trata-se de justiça – diferente de vingança.

A impunidade, no entanto, precisa ceder seu lugar de conforto para ilegais: sem a detenção de quem comete o crime, o Estado e suas leis mostram-se flácidos. Coube ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretar a ordem, persuadidos os magistrados de ter a gardelita proferido injúrias em bar de Ipanema.

A desenvoltura na arte cênica por parte da moça incluiu uma imitação de gestos e sons atribuídos a um macaco - mono em espanhol. Cotejando-se as notícias, nota-se a vantagem do Brasil antirracista, enquanto Donald Trump, além de impune, sente-se à vontade no papel de ku klux klan.

Vale destacar não se tratar de igualdade de opiniões, como se ser racista ou não tivesse mesmo peso: o duelo é sobre conhecimento, honra e dignidade.

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Tags:

Barack Obama Donald Trump racismo

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