OPINIÃO
Retração na perda
Confira o Editorial desta sexta-feira

A redução do desmatamento no Brasil impulsionou a queda mundial de 36% nas perdas de florestas tropicais onde há as últimas concentrações, de acordo com o World Resources Institute (WRI). Vale separar, com a necessária consciência, duas dimensões contíguas, a do ser e a do dizer, coabitando no mesmo status, de onde veio à luz, lindamente, o auspicioso gráfico.
Tal interpretação põe óculos para longe e para perto, entre reduzir o desmatamento e reduzir a velocidade do desmatamento, que são tão distintas como a pera e a maçã. O que se comemora é o adiamento de um possível fim do mundo e não a tão aguardada cura de uma natureza doente por não fechar a ferida, esvaindo-se em verde, sem estancar.
Nunca é demais marcar bem as palavras, mantendo um conceito na sobra, valendo-se o aconselhamento para estabelecer o limite máximo de persuasão. Portanto, tal qual o guia empunhando o candeeiro, ao adentrar a trilha, o sujeito pensante celebra, não a vitória sobre o apocalipse, mas a redução do placar adverso.
Poderiam os céticos redarguir (“é pouco”), no entanto, como no discurso do método, se o problema é complexo, podemos fragmentá-lo a fim de digerir a fidedigna proporção. Logo, o que se confirma, na pirâmide do abraço, é uma retração na perda de florestas em 42,4% no ano passado, quando incêndios causaram 65,2% do desflorestamento.
O mundo queimou ou cortou 4 milhões de hectares de floresta tropical primária, equivalente ao território do estado do Amazonas, atestando, sim, que tamanho faz diferença. A causa principal é a expansão agrícola.
Apesar da diminuição, os paraenses ainda destroem cerca de 70% a mais de florestas em relação ao permitido conforme o combinado no compromisso global entre 193 países. Os cabanos contemporâneos precisam, portanto, urgentemente, cegar o fio inclemente de seus machados.
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