OPINIÃO
Tecnolarápios à espreita
Confira o Editorial desta sexta-feira


O alcance lúdico e de entretenimento da Copa do Mundo, associado às atenções capturadas pelas bandeirolas e licores juninos, despertam a gula dos golpistas de internet. Convém às pessoas de boa intenção não distraírem-se com o celular, ao menos, no decorrer de jogos e festas, pois um pequeno vacilo pode representar o indesejado gol contra.
Acresce a sensação de encantamento produzida pelas químicas da paixão, seja pela seleção penta ou pela doce companhia, produzindo nas vítimas a consagrada “cegueira”. Antes mesmo de começarem os jogos, dados confiáveis, compilados por provedor de rede privada, indicavam três entre cada grupo de dez usuários sob ameaça de trapaça.
A estatística recortou no universo de compradores de produtos relacionados à Copa, indicando a amostragem a habilidade dos bandoleiros digitais e seus disfarces artificiais. A coleção de fraudes se distribui em venda de ingressos, pacotes de viagem, hospedagens e artigos licenciados, tudo muito convincente nas imagens e áudios.
É preciso saber desconfiar, habituando-se ao ceticismo protetivo: mesmo a aparência de sites conhecidos pode esconder clones ativados por rapaces cada vez mais ladinos. Um dos indícios mais eloquentes da gatunagem eram os erros de português, eliminados hoje pela aplicação de filtros corretores e monitoramento das IAs.
O compartilhamento de links, conduzido célere e comodamente via troca de mensagens em aplicativos como WhatsApp e variadas redes sociais, precisa ser feito com cautela. Álbuns de figurinhas e camisas da seleção, entre outros itens, estão entre as suculentas iscas visando oferecer a comodidade do pagamento por QR Code como atraente ardil.
Diante da escalada das emboscadas, os bancos criaram mecanismos para bloquear transferências; depois de efetuadas, portanto, nada de pânico, se vacilou pode consertar. O contexto favorável às modalidades virtuais de ganância e descuido sugere risco para o comércio digital se a freguesia tornar-se definitivamente refém dos tecnolarápios.