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Tesouro desprezado

Confira o Editorial do Jornal A TARDE desta terça-feira, 27

Publicado terça-feira, 27 de fevereiro de 2024 às 05:00 h | Autor: Editorial
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A implementação urgente de políticas públicas voltadas para preservar imóveis tombados pode reduzir o efeito da falta de compromisso dos proprietários, devido ao desprezo gerado por dificuldade financeira ou falta de consciência.

Apesar da riqueza histórica e cultural expressa nos casarões centenários, é preciso fomentar maior percepção dos ganhos para o turismo e a economia, caso as preciosidades fossem cuidadas; ao contrário, há quem aprecie os escombros.

Das 5 mil unidades registradas no Livro Tombo de Salvador, distribuídas em seis conjuntos arquitetônicos, 407 estão ameaçadas de ruir, em demonstração inequívoca de negligência de seus donos, a quem caberia proteger a memória.

Os servidores do Iphan e do Ipac têm sua atenção voltada para as análises, no sentido de propor o tombamento, no entanto, não se verifica, no desempenho das instituições, ações de vigiar e punir com mais rigor a fim de evitar o pior.

Exceto uma ou outra multa e notificação, ficam impunes os cidadãos em flagrante perfeito por nada contribuírem a fim de manter esta linha do tempo viva, levando em conta construir o futuro somente se conhecemos o passado.

Dois exemplos recentes do apagamento da memória são o Colón, em Salvador, e o Colombo, em Cachoeira, cidade-heroica do Recôncavo, ambos tratados a menor, apesar de suas paredes terem escrito páginas gloriosas.

Segundo apurou reportagem de A TARDE, um próximo candidato a desaparecer é o Solar Bandeira, na Soledade, pois o escoramento precário pode não sustentar por mais tempo a joia da segunda metade do século XVIII.

Projeto desenvolvido pela Defesa Civil de Salvador (Codesal) ao menos tem feito o trabalho de sinalizar os riscos, embora o número possa produzir desalento: de 2.829, apenas 170 se encontram em situação razoável de conservação.

O contexto reflete o comportamento da cidadania baiana, junto aos problemas de gestão pública, apontando para a tendência de a quadricentenária Salvador perder grande parte de seu admirável tesouro arquitetônico nos próximos anos.

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