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POLÍTICA

A normalidade é o novo mantra dos generais do governo

Roberto Godoy | Estadão Conteúdo

Por Roberto Godoy | Estadão Conteúdo

01/01/2019 - 13:21 h | Atualizada em 19/11/2021 - 9:30

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Há três dias, na sala de comando da imensa operação de segurança montada em Brasília para garantir as cerimônias da posse do novo presidente, Jair Bolsonaro, e para assegurar a sua proteção pessoal, um dos generais do grupo de sete que vai integrar a administração sorria, satisfeito com o resultado do ensaio pela manhã. "É isso, é assim que vai ser: as coisas do governo vão acontecer com eficiência, objetivos serão atingidos, tudo dentro da normalidade." A defesa da normalidade é um mantra. O trabalho com o capitão reformado, eleito pelo voto, é visto e tratado como missão.

A equipe tem pontos de contato - a estabilização do Haiti, a condição de combatentes de elite, as escolas de formação, a passagem pela Amazônia. E tem um regente, o novo chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Aos 71 anos, graduado na Arma da Cavalaria, Heleno é um oficial intelectualizado, bom analista da agenda política. É também homem da tropa. Em 2005, no Haiti, adotou a política de tolerância zero em relação aos rebeldes, quase todos de facções do crime organizado. Em 6 de julho, montou um ataque empregando 440 soldados e blindados. A ofensiva durou sete horas. Ao fim, haviam sido disparados 22 mil tiros e seis bandidos estavam mortos.

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Entre os sete generais do governo há outro veterano de combate, Carlos Alberto dos Santos Cruz, que vai ocupar a Secretaria de Governo. Ex-comandante da força da ONUno Congo - a maior das missões internacionais de paz -, Santos Cruz esteve nas áreas conflitadas várias vezes e entrou em confronto armado. Os dois ex-comandantes terão incumbências marcadas pela negociação e análise. Heleno estará no GSI, dispondo, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também da rede federal de coleta de informações estratégicas, abrangendo 33 organismos em 17 ministérios. Santos Cruz, do outro lado do corredor, vai cuidar do entendimento político. Não estará só. Segundo o próprio Bolsonaro, "todo mundo vai fazer a articulação, vai ajudar". Tudo dentro da nova normalidade.

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