Busca interna do iBahia
HOME > política > BAHIA

SANEAMENTO BÁSICO

BRT leva risco ao esgotamento sanitário de Salvador, diz Embasa

Embasa afirma que obras do trecho 2 do BRT podem comprometer manutenção no sistema de saneamento

Lula Bonfim
Por Lula Bonfim
Tramo 1 do BRT de Salvador, na Av. Antônio Carlos Magalhães
Tramo 1 do BRT de Salvador, na Av. Antônio Carlos Magalhães -

A Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento) emitiu uma nota técnica, assinada por engenheiros e pela equipe especializada da estatal, afirmando que as obras do trecho 2 do BRT podem gerar riscos incontornáveis ao sistema de esgotamento sanitário de Salvador, que estaria concentrado na região da Lucaia, entre as avenidas Juracy Magalhães e Vasco da Gama.

O portal A TARDE teve acesso aos documentos que foram emitidos pela diretoria de operações da Região Metropolitana de Salvador da empresa pública, que alerta sobre o problema. As sustentações de alguns viadutos do BRT estariam a 0,4 centímetros de distância da tubulação do esgotamento sanitário da cidade, impossibilitando manutenções que podem ser necessárias.

Tudo sobre Bahia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Segundo a Embasa, em alguns casos, devido à proximidade das vigas de sustentação, seria necessário desmanchar algum viaduto do BRT para realizar possíveis reparos na tubulação do sistema de esgotamento sanitário da cidade.

Em entrevista ao programa Isso É Bahia, da rádio A TARDE FM, o vereador Augusto Vasconcellos (PCdoB), ouvidor-geral da Câmara Municipal de Salvador, comentou o tema e fez críticas à prefeitura do município.

“O que a Embasa está apontando é que qualquer eventual dano à tubulação de esgotamento sanitário de Salvador — diga-se de passagem, 70% do esgoto sanitário da cidade passa pelas imediações do Lucaia —, terá muitas dificuldades ou até impossibilidade de fazer a manutenção, de fazer o reparo”, relatou o vereador.

Vereador Augusto Vasconcellos no programa Isso É Bahia, da rádio A TARDE FM
Vereador Augusto Vasconcellos no programa Isso É Bahia, da rádio A TARDE FM | Foto: Laís Rocha | Ag. A TARDE

Na avaliação de Augusto, a prefeitura desrespeitou e atropelou um diálogo que foi construído com a Embasa no início das obras do BRT, que teria sido defendido pela gestão municipal devido a uma “rivalidade” com o governo do estado, responsável pelo metrô da cidade.

“Além dos graves problemas ambientais que a obra do BRT trouxe, eu passei agora pelo BRT e não vi ninguém. É uma obra praticamente fantasma. As pessoas não estão usando o BRT, exatamente pela falta de utilidade. Nós tínhamos outras opções inclusive, de fazer interligação com o metrô, mas em uma certa rivalidade em torno de obras, a prefeitura faz a opção de fazer uma obra muito custosa, de uma estrutura que está sendo inutilizada em outras cidades brasileiras e do mundo. Uma obra cara e com pouco fluxo de passageiros”, criticou Vasconcellos.

No documento, a Embasa afirma que, caso haja uma ruptura da tubulação na região da Lucaia, pode haver um aumento do nível de contaminação na orla de Salvador, provocando graves prejuízos ambientais.

“Isso é estarrecedor, porque isso deveria ter sido observado antes da obra. Me parece que, com os apontamentos que a Embasa fez e as sugestões que foram feitas de adaptação da obra para não gerar esse comprometimento, como elas talvez encarecessem o projeto original, não foram observadas e foram atropeladas”, avaliou o vereador.

Em sua nota técnica, a Embasa também diz que tem mantido contato com a prefeitura de Salvador para resolver os problemas, mas que não foram atendidos da maneira adequada.

“A Embasa vem, desde então, tentando promover diálogo junto a Prefeitura de Salvador a fim de alertar e propor soluções para minimizar os impactos operacionais causados pela obra, uma vez as estruturas do BRT estão sendo construídas em cima dos interceptores de esgoto, impossibilitando o acesso às tubulações para limpeza e eventuais reparos, além de promover riscos as próprias estruturas do BRT em casos de quebramentos, que devido às estruturas de concreto só poderão vir a ser identificados tardiamente”, diz o documento.

“Diante do cenário narrado e demonstrado, fica constatado que a Prefeitura de Salvador deliberadamente ocupou a faixa de servidão do interceptor sem a discussão e anuência da Embasa. Todas as tratativas realizadas não serviram para nenhuma modificação da concepção proposta, prestaram-se apenas a comunicar a Embasa sobre detalhes de projeto”, reclamou a estatal.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

Augusto Vasconcellos BRT de Salvador Embasa isso é bahia

Relacionadas

Mais lidas