CÂMARA DE SALVADOR
Sessão sobre luta pelo aborto gera debate acalorado entre vereadores
Motivo da discussão foi reação de vereadores da base evangélica à proposta


Durante a sessão ordinária desta segunda-feira, 13, na Câmara Municipal de Salvador, entre as moções e requerimentos aprovados pelos vereadores, um deles causou uma discussão acalorada entre os edis com ligação com os evangélicos e outros parlamentares da Casa.
De autoria da vereadora Laina Pretas por Salvador (PSOL), o Requerimento nº 61/23 solicita à Mesa Diretora, com a anuência do Plenário, a realização de uma Sessão Especial em homenagem ao Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do aborto.
Os vereadores Alexandre Aleluia (PL) e Ricardo Almeida (PSC) pediram a palavra e disseram que a proposta incentivava o aborto e, por isso, se declaravam contrários ao requerimento. Posto em votação, a proposta foi aprovada, mesmo com um grupo de edis se manifestando contrários. Almeida, então, pediu que a votação fosse nominal “para que a população soubesse quem na Câmara é contra ou a favor do aborto”.
Com isso, o presidente da Casa, Carlos Muniz (PTB), interveio. “Acho que todos nós somos a favor da vida. Quem votar contrário, terá o voto registrado em ata”, disse, em seguida pedindo que todos os 35 vereadores presentes no plenário Cosme de Farias se sentassem e só quem era contra o requerimento ficassem em pé. A proposta foi aprovada por 20 a 15.
A co-vereadora do coletivo Pretas por Salvador, Laina Crisóstomo, após o debate, falou com o Portal A TARDE sobre a discussão.
“Desde que a gente entrou [na Câmara], a gente promove esse requerimento. E quando a gente solicitou pela primeira vez, alguns vereadores chegaram a dizer que iam entrar no Ministério Público para evitar que isso acontecesse porque eu estava incitando o crime. No segundo ano, a sessão passou, no ano passado, a gente fez do mesmo jeito e, este ano, quando a gente faz esse requerimento para poder fazer o que já estava fazendo nos últimos anos, gera essa polêmica toda. Eles querem se dizer pró-vida quando, na verdade, o debate da gente é também um debate pela vida, pela vida das mulheres, pelo direito de escolha e pela liberdade”, destaca.