Bolsonaro é aconselhado a oficializar logo indicação de desembargador ao STF

Publicado quinta-feira, 01 de outubro de 2020 às 19:04 h | Atualizado em 01/10/2020, 19:07 | Autor: Da Redação

Diante da repercussão negativa crescente à possível indicação do desembargador Kássio Nunes Marques, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado a oficializar nas próximas horas a decisão, com o envio do nome do magistrado ao Senado, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

O objetivo seria tirar Marques do "sereno", protegendo-o das críticas de grupos contrários à sua indicação e também de outros postulantes ao cargo, que ficará vago com a saída de Celso de Mello. O decano do tribunal se aposentará no dia 13 de outubro. Oficializada a escolha, restaria somente agendar a sabatina de Marques no Senado.

Nas últimas horas, subiu o tom das falas contra o desembargador no Supremo. Aliado de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, por exemplo, publicou um vídeo no qual classifica a possível indicação como um "absurdo vergonhoso". O presidente da Corte, Luiz Fux, também expressou discordância. Assessores do Palácio do Planalto afirmam que o martelo ainda não foi batido.

Ainda segundo a colunista, Marques já foi apresentado por Bolsonaro aos ministros do Supremo Gilmar Mendes e Dias Toffoli, e também ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como o sucessor de Mello no tribunal.

Conforme O Globo, em encontro com Bolsonaro, Marques teria se apresentado como candidato a uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O desembargador chegou ao presidente com a ajuda do senador Ciro Nogueira (PP), que, pela proximidade recente com o chefe do Palácio do Planalto, tem sido chamado até de filho 05 de Bolsonaro.

Marques teria sido, então, surpreendido pelo presidente, que lhe perguntou se teria interesse de ir para o STF.

De acordo com interlocutores, Bolsonaro disse ao desembargador não ter a vaga no STJ, já que o ministro Napoleão Nunes Maia só se aposenta em dezembro, mas que poderia indicá-lo ao Supremo, no lugar de Mello.

De acordo com a Veja, a decisão do presidente desagradou a alguns integrantes do STJ que desejavam a vaga no Supremo.

Entre os cotados, estavam os ministros João Otávio de Noronha e Luis Felipe Salomão. Ainda segundo a publicação, outros membros do STJ se articulavam discretamente em busca do cargo. O procurador-geral da República, Augusto Aras, também era mencionado como possível novo ministro do STF.

Publicações relacionadas