Brasil se prepara para dia tenso de manifestações pró-Bolsonaro

Publicado terça-feira, 07 de setembro de 2021 às 08:50 h | Atualizado em 07/09/2021, 08:53 | Autor: AFP

O Brasil celebra o feriado da independência nesta terça-feira, 7, em um contexto de alta tensão com manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro, que tenta mobilizar suas bases, e outras organizadas por seus opositores.

Principalmente em São Paulo e Brasília, importantes dispositivos de segurança foram mobilizados para atos massivos convocados por apoiadores radicais do presidente.

Em Brasília, que estará protegida por 5 mil policiais, centenas de manifestantes se concentraram desde segunda-feira à noite. Depois de furar o bloqueio policial, muitos deles entraram com caminhões e outros veículos na Esplanada dos Ministérios.

"Acabamos de invadir! A polícia não conseguiu conter o povo! E amanhã vamos invadir o STF", gritava um dos manifestantes, em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Apesar de afirmar que o objetivo das marchas é defender a liberdade, muitos dos apoiadores de Bolsonaro, que se organizaram através das redes sociais, planejam usar 'palavras de ordem' a favor de ataques às instituições democráticas.

Alguns pedem, inclusive, uma "intervenção militar" liderada por Bolsonaro.

O rumo das mobilizações é incerto e monopolizou o debate público no Brasil, com alertas para evitar algo semelhante à invasão do Capitólio dos Estados Unidos em janeiro por partidários do então presidente Donald Trump.

Mais de 150 intelectuais e figuras políticas de 26 países, incluindo o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o filósofo americano Noam Chomsky, assinaram uma carta aberta nesta segunda-feira denunciando uma ameaça iminente à democracia brasileira.

"Ultimato" de Bolsonaro

O dia começará com a cerimônia oficial do hasteamento da bandeira às 9h (horário de Brasília) no Palácio do Alvorada.

Bolsonaro afirmou nos últimos dias que os protestos serão um ultimato aos magistrados da mais alta corte, contra os quais está em pé de guerra há semanas, após terem iniciado várias investigações contra ele e seu entorno, por divulgação de informações falsas, entre outras coisas.

O presidente anunciou sua presença pela manhã em Brasília e à tarde em São Paulo, onde espera reunir "milhões" de pessoas na Avenida Paulista.

A três quilômetros dali, no Vale do Anhangabaú, está agendada a principal manifestação da oposição da megalópole sob o lema “Fora Bolsonaro”.

Para Geraldo Monteiro, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o presidente está apostando "tudo ou nada" depois de ter esticado a corda ao máximo com seus recorrentes ataques ao sistema eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso.

Segundo ele, esse dia de mobilização pode “ser um divisor de águas”.

"Se as manifestações forem importantes, significativas, acho que vai de certa maneira pesar a balança em favor do presidente" para as eleições de 2022, nas quais, segundo as pesquisas, seria amplamente derrotado pelo ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não confirmou a sua candidatura.

Mas no caso de um fracasso, "pode entrar numa curva descendente para o bolsonarismo" e o presidente corre risco de perder aliados especialmente no setor empresarial.

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