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Cidades que tiveram mais mortes por covid mantiveram voto em Bolsonaro

Votação no ex-presidente se mantiveram nos anos de 2018 e 2022

Publicado segunda-feira, 20 de maio de 2024 às 19:49 h | Autor: Da Redação
Bolsonaro ignorou a crise sanitária instalada no país e contrariou as recomendações
Bolsonaro ignorou a crise sanitária instalada no país e contrariou as recomendações -

As cidades que mais votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos anos de 2018 e 2022 acumularam mais mortes durante o pico da pandemia de Covid-19 no Brasil, isso é o que mostra o levantamento realizado revista Cadernos de Saúde Pública desta segunda-feira, 20.  

Cada aumento de 1% dos votos nas cidades nos anos de 2018 e 2022 houve uma alta de 0,48% a 0,64%, respectivamente, no excesso de óbitos, conforme aponta o estudo, que analisou a quantidade de morte registrada em 2020 e 2021 e o percentual de votos obtido por Bolsonaro no primeiro turno daqueles pleitos.

Durante o período da pandemia, Bolsonaro ignorou a crise sanitária instalada no país e contrariou as recomendações de autoridades de saúde, além de negar a utilização das medidas de isolamento social e uso de máscaras. Na ocasião, Bolsonaro ainda descredibilizou as vacinas. 

De acordo com a pesquisa, publicada no jornal Folha de S.Paulo, a oposição a Bolsonaro, representada pelos votos no PT, mostrou uma correlação negativa com o excesso de mortalidade nos municípios, ou seja, quanto maior o percentual de votos verificado nos candidatos petistas, menor foi o número de mortes.

Um dos conceitos dos pesquisadores sobre o assunto é o ambiente político no qual eleitores apoiam quem defende as pautas étnicas, religiosas e específicas dos grupos deles.

Segundo o professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Everton Lima, a virada de chave para a vitória de Lula (PT), em 2022, também está relacionada a uma tendência de eles adotarem posições que os diferenciem politicamente, contrárias às da classe política adversária.

"Há uma fidelidade até certo ponto cega", disse. "Estamos polarizados em um nível político que é o nós contra eles. Você acaba sendo alimentado por informações de dentro do seu grupo. Não conversa com o outro lado."

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