MP entra com ação contra Bolsonaro por funcionária fantasma

Segundo a ação, Wal do Açaí esteve lotada no gabinete de Bolsonaro por 15 anos, mas nunca viajou para Brasília

Publicado terça-feira, 22 de março de 2022 às 17:18 h | Atualizado em 22/03/2022, 17:18 | Autor: Divo Araújo
Wal do Açaí com o presidente Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro em foto nas redes sociais
Wal do Açaí com o presidente Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro em foto nas redes sociais -

O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília entrou com ação de improbidade contra o presidente Jair Bolsonaro e e a ex-secretária parlamentar da Câmara dos Deputados Walderice Santos da Conceição, conhecida como "Wal do Açaí".

O MPF pede a condenação dos dois por improbidade e defende o ressarcimento dos recursos públicos indevidamente desviados

Segundo a ação, Wal do Açaí esteve lotada no gabinete de Bolsonaro durante mais de 15 anos, mas nunca viajou para Brasília e nem exerceu qualquer função relacionada ao cargo.

De acordo com o MPF,  Walderice e o companheiro, Edenilson Nogueira Garcia, prestavam serviços de natureza particular para Bolsonaro – em especial nos cuidados com a casa e com os cachorros de Bolsonaro na Vila Histórica de Mambucaba (RJ).

As suspeitas sobre Wal surgiram em 2018 após uma reportagem do jornal Folha de São Paulo. A publicação revelou que a ex-assessora trabalhava em um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio de Jair Bolsonaro, à época deputado federal. A demissão foi confirmada em agosto de 2018, quando Bolsonaro já era candidato à Presidência.

A análise das contas bancárias de Walderice pelo Ministério Público revelou uma movimentação atípica - 83,77% da remuneração recebida nesse período foi sacada em espécie, sendo que, em alguns anos, esses percentuais de saques superaram 95% dos rendimentos recebidos.

O MPF afirmou ainda que o presidente tinha pleno conhecimento de que Walderice não prestava os serviços correspondentes ao cargo e, mesmo assim, atestou falsamente a frequência dela ao trabalho em seu gabinete para comprovar a jornada laboral exigida pela Câmara dos Deputados, de 40 horas semanais, e, assim, possibilitar o pagamento dos salários.

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