Prefeitos confirmam pedido de propina em "balcão" do MEC

Indícios de corrupção na liberação de recursos levaram a exoneração de Milton Ribeiro

Publicado terça-feira, 05 de abril de 2022 às 15:44 h | Atualizado em 05/04/2022, 15:44 | Autor: Da Redação
Milton Ribeiro deixou MEC após se envolver em polêmica com liberação de recursos do FNDE
Milton Ribeiro deixou MEC após se envolver em polêmica com liberação de recursos do FNDE -

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado realizou, nesta terça-feira (5), uma audiência para ouvir prefeitos que apontaram as irregularidades nas negociações para distribuição de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, os gestores foram convidados confirmarem indícios da existência de um balcão de negócios para a distribuição de recursos no âmbito deste mesmo Fundo.

Em depoimentos, pelo menos dois prefeitos - Gilberto Braga (PSDB), de Luis Domingues (MA) e José Manoel de Souza (PP), de Boa Esperança do Sul (SP) - confirmaram evidências de tráfico de influência nessa ordenação.

Enquanto o tucano afirmou que um dos pastores cobrou "um quilo de ouro" em um restaurante de Brasília, o pepista disse que a liberação de recursos para uma escola profissionalizante foi condicionada ao adiantamento de R$ 40 mil "na conta da igreja evangélica".

Os pastores citados são Arílton Moura e Gilmar Santos, que não tinham nenhuma conexão com o Ministério da Educação, mas eram próximos ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

A crise ganhou novas proporções com a divulgação de um áudio no qual o então titular da pasta, Milton Ribeiro, afirma que prioriza amigos e indicações do pastor Gilmar Santos, a pedido de Bolsonaro.

Ele ainda indicou haver uma contrapartida supostamente direcionada à construção de igrejas. Milton Ribeiro acabou exonerado do cargo em 28 de março.

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