China alertou Brasil em novembro sobre interferência política na Coronavac

Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 às 12:07 h | Atualizado em 22/06/2021, 12:10 | Autor: Da Redação

Em novembro do ano passado, o governo da China alertou o Brasil sobre a necessidade de avançar na produção da Coronavac, vacina desenvolvida entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, sem interferências políticas. O alerta foi feito um mês após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarar que não compraria o imunizante da China, conforme documento enviado à CPI da Covid.

O vice-ministro de Negócios Estrangeiros da China, Zheng Zeguang, se reuniu com o embaixador do Brasil em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, em 24 de novembro, para tratar sobre a relação entre os dois países, de acordo com telegrama emitido pelo Itamaraty. Na reunião, foi anunciado o envio de 600 litros de insumos para a produção de vacina, carga que chegou em dezembro. “A esse respeito, externou que a China ‘espera que não haja interferências políticas nessa área’”, informa o documento obtido pelo Estadão/Broadcast Político.

Na conversa entre os diplomatas em Pequim, segundo a mensagem enviada pelo Itamaraty, o vice-ministro chinês observou que “a China deseja manter diálogos e intercâmbios em todos os níveis com o Brasil”.

O atraso do Brasil na compra de vacinas, especialmente no ano passado, é uma das linhas de investigação da CPI da Covid – que coloca o próprio presidente Jair Bolsonaro no foco da apuração. Em outubro de 2020, ele determinou que o Ministério da Saúde não comprasse a Coronavac. Em vídeo nas redes sociais, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello apareceu ao lado do presidente afirmando: “É simples assim, um manda, o outro obedece”.

Em depoimento à CPI, o presidente do Butantan, Dimas Covas, afirmou que as negociações para compra da Coronavac pelo Ministério da Saúde foram suspensas depois da manifestação de Bolsonaro. Pazuello, porém, atribuiu a declaração a uma “coisa de internet”. Tanto ele como o ex-secretário-executivo da Pasta, Elcio Franco, negaram que a negociação tenha sido interrompida. Na avaliação do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), porém, a versão é contraditória à sequência de acontecimentos.

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