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Crise ainda atinge finanças do PT

Publicado quinta-feira, 15 de junho de 2006 às 09:40 h | Atualizado em 15/06/2006, 09:40 | Autor: Agencia Estado
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A crise ética que atingiu o PT depois do escândalo do mensalão afastou militantes e desferiu drástico golpe nas pretensões da atual diretoria de equilibrar as finanças do partido. A campanha emergencial de arrecadação que será encerrada neste mês previa chegar aos R$ 13 milhões a partir da contribuição de filiados e simpatizantes. Baterá, se tanto, nos R$ 4,5 milhões, menos de 35% do total pretendido. Em dinheiro contabilizado, registre-se.

Prevenida, a nova direção petista contabiliza centavo por centavo, com o registro do nome de quem faz a contribuição. A todos é entregue um recibo. Não quer saber do dinheiro não contabilizado dos tempos do ex-tesoureiro Delúbio Soares. "No fim do mês nós vamos fechar o balanço e suspender a campanha, porque vamos nos dedicar a outra campanha, a da reeleição do presidente Lula", disse o tesoureiro petista, Paulo Ferreira. Ao todo, calcula-se que a dívida deixada por Delúbio pode ter chegado aos R$ 100 milhões com os juros. Nas CPIs, o ex-tesoureiro disse que o dinheiro não contabilizado era de R$ 55 milhões.

A campanha de arrecadação encontrou dificuldades para deslanchar até entre parlamentares petistas. De acordo com o primeiro balanço da direção do partido, dos 93 parlamentares (81 deputados e 12 senadores) do PT, somente 38 tinham se engajado nela. A cada um foi sugerida a contribuição de R$ 10 mil. Mas o deputado Adão Pretto (RS), por exemplo, entregou apenas R$ 353,04. Ele pertence à ala esquerda do partido.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), contribuiu com R$ 16 mil; o deputado Marcos Maia (RS), com R$ 20 mil. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), doou R$ 5 mil, metade da meta. O deputado Virgílio Guimarães (MG), que apresentou o empresário Marcos Valério a Delúbio Soares, pagou R$ 10 mil. Virgílio foi suspenso do partido por mais de um ano por ter concorrido à presidência da Câmara contra a orientação da bancada.

Dos senadores, o mais generoso foi o candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, que doou R$ 8.223. Em seguida aparecem Eduardo Suplicy, com R$ 4 mil; a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), e Sibá Machado (AC), cada um com R$ 3 mil; Fátima Cleide (RO), com R$ 2 mil, e Serys Slhessarenko (MT), com R$ 1 mil. Os outros não tinham doado nada até o primeiro balanço.

Paulo Ferreira disse que aguarda a contribuição dos que nada pagaram ainda - ou uma segunda parcela dos que foram econômicos na ajuda ao partido - até o fim do mês. Para cada um dos doadores ele pretende entregar uma medalha pela contribuição. Os que derem pouco, como Adão Pretto, deverão receber uma medalha mixuruca.

"Vamos ter todo tipo de medalha. Os que mais ajudaram vão receber a de diamante; outros, a de ouro, a de prata, a de bronze. Vai ter todo tipo", disse Ferreira. E qual será a de Adão Pretto? "Vai ser uma medalha de lata", disse o tesoureiro.

A campanha de arrecadação do PT vai ser encerrada com dois jantares, um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo, ambos no fim do mês. No dia 24, logo depois da convenção que vai ratificar a candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, será organizado um grande forró, no Minas Tênis Clube, mesmo local da escolha dos candidatos a presidente e a vice. A mesa para seis pessoas custará R$ 300; para quatro, R$ 200 e, avulsos, sem direito a mesa, R$ 20. As informações são de O Estado de S. Paulo.

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