adblock ativo

Declaração de Bolsonaro sobre suspensão dos testes de vacina revolta parlamentares baianos

Publicado terça-feira, 10 de novembro de 2020 às 21:03 h | Atualizado em 10/11/2020, 21:07 | Autor: Raul Aguilar
Bolsonaro comemorou a interrupção do estudo clínico da vacina CoronaVac
Bolsonaro comemorou a interrupção do estudo clínico da vacina CoronaVac -
adblock ativo

A comemoração por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), da interrupção do estudo clínico da vacina CoronaVac, ocorrida na noite da última segunda-feira, 9, indignou parlamentares baianos.

A Anvisa informou que decisão foi motivada por “informações consideradas incompletas, insuficientes para que continuasse permitindo o procedimento vacinal” por parte do Instituto Butantã acerca de uma intercorrência nos testes. Pontou também que esse tipo de “interrupção é previsto pelas normas da Anvisa e faz parte dos procedimentos de Boas Práticas Clínicas esperadas para estudos clínicos conduzidos no Brasil”.

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira, 10, o diretor-presidente da agência reguladora, Antonio Barra, disse que a decisão foi adotada pela área técnica e reforçou que ainda não há previsão para retomada dos testes. Ele destacou que a Anvisa “não é parceira de nenhum desenvolvedor, de nenhum laboratório, de nenhum instituto”.

“Quando temos eventos adversos não esperados, aqueles que no primeiro momento não conseguimos estabelecer uma correlação, a sequência de eventos é uma só: a interrupção do estudo. O protocolo manda que seja feita a interrupção do teste e se nós não o fazemos, a responsabilidade obviamente é nossa diante da repetição desse mesmo evento”, explicou Barra.

Comemoração de Bolsonaro

Em resposta a um seguidor que o questionou em uma rede social acerca da compra do imunizante, que é produzido pelo laboratório Chinês Sinovac e testado no Brasil pelo Instituto Butantan, Bolsonaro declarou: "Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar todos os paulistanos a tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

O ex-governador e senador do PT, Jaques Wagner, fez duras críticas ao ato do presidente da República, classificando-o como uma “mesquinhez política”.

“É lamentável alguém comemorar a eventual frustração de algo que a humanidade toda espera, que é a vacina, por pura mesquinhez política. Mesmo com o fracasso do chefe dele nos EUA, ele mantém a insensatez de sempre e continua na agenda do besteirol”, alfinetou Wagner.

“Estou oficiando ao presidente da Anvisa, solicitando a ele esclarecimentos sobre os motivos de adotar uma posição em relação à suspensão de uma vacina sem o conhecimento prévio da instituição que está realizando o teste no Brasil. A Anvisa suspendeu sem ter conhecimento técnico de que a pessoa que sofreu tal intercorrência tomou placebo ou vacina nos teste. A anvisa tem uma Câmara Técnica e não pode tomar um decisão discricionária que poderá prejudicar todo estudo”, criticou Alice Portugal (PCdoB).

A deputada federal que também é farmacêutica questiona se havia uma guerra entre o presidente da República e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), envolvendo o imunizante fabricado pela China: “Era uma guerra? Isso é algo que beira insanidade, criminoso, espero que não exista um componente ideológico nessa decisão, quero crer que não tenha, mas se tiver, Bolsonaro e o presidente da Anvisa terão que se explicar”.

O deputado federal Jorge Solla (PT), que também é médico, classificou como um “total absurdo” a decisão da Anvisa de paralisar os estudos sem que houvesse uma correlação da morte do participante com o uso do imunizante. Um boletim da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo vazado na tarde desta terça-feira, 10, informava que a morte do suposto participante que gerou a paralisação do ensaio clínico que estava na fase final de teste no Brasil se tratava de um suicídio. Solla ressalta que ao dizer que “venceu Dória”, “Bolsonaro cometeu mais um crime de responsabilidade entre inúmeros”.

Outro parlamentar a sinalizar acerca de um possível componente político e ideológico nos atos do presidente foi o deputado Félix Mendonça Jr (PDT). O parlamentar ressalta que não se pode misturar “política” com “ciência e tecnologia”; e destaca que “a saúde e educação” estão muito acima das “questões partidárias ou ideológicas”.

“O importante é que essa vacina venha. Pode ser da China, EUA, europa e, se estiver em teste no Brasil, ainda melhor. Agora,comemorar uma vacina que podia não ter dado certo, o que eu não acho que é o caso da Coronavac, só por ela ter uma suposta coloração ideológica, é um ato que chega a ser mesquinho e ridículo, é como comemorar a morte de alguém por ter uma coloração político partidária diferente da sua”, comparou o deputado do PDT.

Félix Mendonça lembrou que no início de setembro a farmacêutica AstraZeneca, responsável pela vacina de Oxford, havia anunciado uma suspensão dos teste do imunizante no mundo, por complicações em pacientes no Reino Unido e que, duas semanas depois, ela retomou os teste com o aval da Anvisa. Ele critica ataques ao imunizante Chinês e segure, em tom de ironia, que se clima de hostilidade ao país continuar por parte do presidente, ele deveria decretar fim das “relações comerciais com a China” e enfrentar toda crise econômica que envolve uma decisão como essa.

adblock ativo

Publicações relacionadas