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ELEIÇÕES 2024

Entrevista: "Eu sei o que fiz e sei, também, os erros que cometi", diz Kertész

Patrícia França

Por Patrícia França

24/06/2012 - 22:03 h

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Prefeito de Salvador duas vezes – entre 1979 e 1981, ao ser nomeado pelo então governador Antonio Carlos Magalhães, e em 1986, desta vez eleito pelo PMDB –, Mário Kertész diz que volta à política partidária, após 20 anos, porque tem um projeto consistente para a cidade. Admite que o PMDB sairá só na eleição e critica as alianças baseadas não na identidade ideológica ou de propostas, mas no tempo que os partidos têm na TV. Kertész transmite seu último programa de rádio na noite desta quinta-feira, antes da convenção do PMDB que homologará na sexta sua candidatura, e entra firme na campanha.

A TARDE - O senhor chegou a dizer que se as oposições não se unissem caminhariam para a derrota. Mesmo assim, resolveu sair candidato. O senhor mudou de opinião ou é estratégia do PMDB para manter sua força em Salvador?

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Mário Kertész - Eu mudei de opinião, sim. Estávamos querendo fazer um projeto político e não um projeto eleitoral. O projeto político significa a gente ter uma visão estratégica da política da Bahia, que passa, necessariamente, pela eleição de 2012. Então, as oposições unidas iriam para esse embate com muito mais chance de vitória. E, consequentemente, com muito mais chance de vitória em 2014. Como não foi possível construir essa unidade, em função de interesses privados de outros candidatos (ACM Neto), o que me interessa, agora, é discutir a cidade. Não sou candidato à reeleição, não serei candidato a governador, a prefeito, a senador, a presidente da República. Eu encerrei minha carreira política há 20 anos e não quero reabrir. Mas eu estou com uma proposta para a cidade do Salvador, que está em uma situação de calamidade.

AT - O PMDB deve seguir sozinho. O senhor acha que tem alguma chance de chegar ao segundo turno?

MK - Não tenho a menor dúvida disso e vou lutar para isso. Não vai ser uma coisa fácil. Aqui na Bahia há uma tendência de se fazer polarização entre Bahia e Vitória (comparação figurada para falar de DEM e PT) como nenhum outro, mas há poucos anos o Colo-Colo de Ilhéus ganhou o campeonato baiano (nas últimas eleições na capital, DEM e PT foram derrotados por João Henrique, que se elegeu pelo PDT e se reelegeu pelo PMDB).

AT - O que dificultou a atração de outros partidos para o projeto do PMDB?

MK - Inicialmente nós estávamos muito bem com o PSDB e estávamos bem com o DEM, porque ACM Neto, várias vezes, disse que seria candidato a governador. Ele não queria ser candidato a prefeito. Na hora que ele mudou, e que a decisão passou a ser uma decisão nacional, eles atropelaram um candidato forte, que era Antônio Imbassahy (deputado federal e ex-prefeito), por conta do apoio do DEM a José Serra em São Paulo. Foi daí que acabou a história (aliança das oposições). Agora, veja o seguinte: os apoios hoje têm sido buscados não em função de identidade de projeto ou identidade ideológica. É assim: quanto tempo você tem de televisão? Você viu que Maluf estava lá com Lula (apertando a mão), Lula assim, meio hã-hã. Todo mundo criticando muito, uma situação dificílima por causa de um minuto e 35 segundos de televisão.

AT - O fato de a candidatura de Neto ter sido imposta pelas executivas nacionais, dividindo o PDSB aqui, pode dificultar a candidatura do democrata?

MK - Não sei dizer, mas o PSDB vai dividido, eu não tenho a menor dúvida. Acho muito difícil conseguir um PSDB unido, mesmo porque a principal liderança do PSDB em Salvador é Antônio Imbassahy, e ele não dá mostras, nenhuma, de que irá apoiar Neto.

AT - O senhor tem conversado com Imbassahy? Acha que vai contar com o seu apoio?

MK - Ele não definiu o apoio a ninguém. Mas tenho conversado bastante com ele.

AT - Os demais candidatos sinalizam que não pretendem fazer críticas ao governo João Henrique e que preferem apresentar um projeto alternativo para a cidade. O senhor seguirá nessa linha?

MK - Acho que a discussão sobre projeto é a coisa mais importante. Agora, impossível é não fazer críticas a uma administração que, em oito anos, levou a cidade ao caos. Mas o mais importante é o projeto. Eu tenho um projeto para a cidade e pretendo apresentar. Mas eu vou criticar, sim, sem dúvida. É impossível não fazer crítica a João Henrique, passar batido. Tem candidato que está querendo o apoio dele; eu não quero. Se ele me oferecesse, chegasse e dissesse ‘eu vim lhe apoiar’, eu diria ‘não, não, não, passe.... vá por outra rua, vá bater em outro terreiro’.

AT - Para chegar ao segundo turno, o senhor terá de confrontar ACM Neto e Pelegrino, os dois candidatos que mais pontuam nas pesquisas. Qual será sua estratégia?

MK - Apresentar proposta para a cidade. O confronto comigo vai ser assim. Eu acho, inclusive, até pela intimidade que existe entre os principais candidatos, e Alice Portugal (PCdoB) também, já que todos nós nos conhecemos, nos damos bem, que cada um de nós vai apresentar proposta para a cidade. A discussão tem que ser em torno de Salvador, para a população dizer: vou votar naquele porque acredito que a proposta é a melhor.

AT - Como João Henrique, que terá o seu governo avaliado, o senhor, que também foi gestor da cidade, está preparado para ser vidraça?

MK - Tranquilamente. Não tenho nenhuma dificuldade em lidar com isso. Eu estou muito acostumado, fui vidraça muitos anos. Eu sei o que eu fiz e sei, também, os erros que eu cometi.

AT - O metrô estará no centro do debate. Na sua gestão, o senhor iniciou a implantação do VLT (veículo leve sobre trilho), que não foi concluído, inclusive há denúncias de desperdício de recursos. O que o senhor tem a dizer?

MK - É absolutamente inverídico. Nós fizemos um projeto que poderá, ainda, ser implantado na cidade, preste atenção. Do VLT, não somente nos principais corredores, mas também no Centro Histórico e na Cidade Baixa. É um sistema de transporte de massa, com custo barato e de grande facilidade na convivência com os pedestres. Esse projeto, que nós deixamos pronto, estava para ser assinado um financiamento com bancos ingleses, quando o presidente José Sarney decretou a moratória do Brasil e todos os créditos externos foram suspensos. Agora, eu deixei pronto o canteiro central da Avenida Vasco da Gama, da Avenida Mário Leal Ferreira, inclusive para ser implantado imediatamente, colocados os trilhos e fazer o resto. Aí eles resolveram mudar para metrô, muito mais caro e que levou a esse desastre que nós temos aí. E mais ainda: durante a gestão de João Henrique se cometeu um outro absurdo, que foi levantar aquele metrô ali (Bonocô), que, além de ser uma agressão estética à cidade, custou uma fortuna. Ali estão enterrados muitos milhões de dólares. E essa coisa de desperdício de dinheiro (com o VLT), eu acho que o prefeito que me seguiu (Fernando José Guimarães) poderia ter retomado. Falam sobre os pilares perto do Vale dos
Barris. Se eu voltar à prefeitura eu vou concluir aquilo ali. Vou colocar passarelas fantásticas, os pilares são de passarelas que iriam fazer a ligação de vários bairros, como eu fiz 17 passarelas nos três anos em que fui prefeito. Então, essa coisa toda aí é uma luta de rivalidade.

AT - O senhor se colocou contra a desistência da prefeitura em levar adiante os projetos urbanísticos doados por empresários da Fundação Baía Viva. Se eleito, pretende retomar essa parceria?

MK - Não tenha a menor dúvida. Essa e tantas quantas apareçam. A prefeitura não pode ter medo de fazer nenhum tipo de parceria às claras e absolutamente lícitas com a iniciativa privada. Hoje em dia todo mundo está fazendo PPP (Parceria Público-Privada), a Fonte Nova é uma PPP. Acho, com sinceridade, que foi frouxidão do prefeito. Foi feita uma denúncia que não tinha fundamento, sei porque acompanhei de perto, e o prefeito sabia de tudo. Mas ele, na hora que foi apertado, disse que nem sabia quem estava na fundação. Absoluto medo e frouxidão dele. Porque, se fosse comigo, eu diria: olha aqui, a fundação é essa, os diretores são estes, eu estou sabendo de tudo, acompanhei tudo, é tudo absolutamente lícito e claro.

AT - E o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Ordenamento do Uso do Solo (Louos), o senhor pretende revisá-los?

MK - Tudo pode ser revisto. Mas esse questionamento judicial da Louos acredito que não vai levar a lugar nenhum, porque é uma decisão do Legislativo sancionado pelo Executivo. Acho, inclusive, que a gente tem de evitar um pouco essa hiperatividade judiciária, que, muitas vezes, traz dificuldades para implantação de projetos grandes. O Aeroclube virou uma favela dentro da cidade por conta de uma decisão judicial que não foi para lugar nenhum. Uma área (orla) fundamental de Salvador, acabada.

AT - As contas do prefeito de 2009 e 2010 que foram rejeitadas pelo TCM se referem ao período em que o PMDB esteve no comando da prefeitura. O senhor, se eleito, pensa em aproveitar os quadros do partido que estiveram naquela gestão?

MK - Não necessariamente. João Henrique, com a colaboração do PMDB, teve, por exemplo, um grande secretário de Saúde, Dr. José Carlos Britto, que pode ser aproveitado, sem dúvida. Agora, não estou pensando nisso, não. O que eu sei é que, ao contrário dos outros principais candidatos (PT e DEM), eu não vou ter que sair entregando cargo da prefeitura a uma partido e outro. A gente vê o que aconteceu no governo federal, que Dilma (Rousseff) teve que demitir vários ministros, ou o que acontece no governo do Estado, que tem vários secretários absolutamente incompetentes, mas protegidos pelos seus partidos.

AT - O senhor tem sido um crítico da dependência dos prefeitos de Salvador em relação aos governos estadual e federal. Como o senhor pretende melhorar a arrecadação do município para também não depender dessas esferas do poder?

MK - Depender, sempre haverá dependência, mas não será uma dependência de submissão como existe hoje. Em primeiro lugar, tem que ter uma boa administração tributária, cobrar imposto de quem pode pagar e não paga. Segundo, buscar recursos estaduais e federais, sobretudo federais, através de bons projetos. Isso tenho experiência das duas vezes em que fui prefeito e secretário do Planejamento. Consegui recursos até do Banco Mundial. Fizemos toda a área de saneamento básico, escadarias drenantes e coberturas de canais.

AT - Que setores da economia devem-se priorizar para ampliar a arrecadação e a oferta de emprego e renda?

MK - Na indústria do turismo, que estamos perdendo cada vez mais, porque não temos uma atividade cultural fixa e poderosa. Não podemos depender somente de um evento, que é o Carnaval. A gente precisa de segurança pública, que depende do governo do Estado, mas a prefeitura pode ajudar, e depende de manter a cidade e botar ela para cima de novo. A população de Salvador está meio cabisbaixa. Grande parte dos turistas chega no aeroporto e ao invés de ir para a esquerda, que é Salvador, vai para a direita, que é o litoral norte, fica por lá. E Salvador tem uma riqueza fantástica. Essa cidade, para mim, é a mais bonita do Brasil, até mais que o Rio de Janeiro.

AT - Caso o senhor não chegue ao segundo turno, o PT pode ter esperança de ter o seu apoio?

MK - Primeiro, eu quero chegar ao segundo turno nesta eleição. Segundo, vai depender das coisas, das propostas e do andamento das coisas. A campanha não começou, ainda.

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