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Facebook não impediu anúncios com desinformação eleitoral, diz ONG

Global Witness criou anúncios com desinformação para testar os sistemas de moderação de conteúdo da plataforma

Publicado segunda-feira, 15 de agosto de 2022 às 17:24 h | Autor: Da Redação
O grupo Meta, dono do Instagram, Facebook e Whatsapp, disse estar  se preparado extensivamente para as eleições de 2022 no Brasil
O grupo Meta, dono do Instagram, Facebook e Whatsapp, disse estar se preparado extensivamente para as eleições de 2022 no Brasil -

Um estudo da organização internacional Global Witness, publicado nesta segunda-feira, 15, aponta que os sistemas de segurança e moderação de conteúdo da Meta, empresa dona do Facebook, não são completamente eficazes quando o assunto é impedir a disseminação de notícias falsas sobre as eleições brasileiras na rede social.

Como teste, a ONG criou dez anúncios com desinformação eleitoral para testar os sistemas de moderação de conteúdo diante das iniciativas da rede social para combater fake news.

As peças publicitárias usadas como teste foram aprovadas pela plataforma e levariam o eleitor ao erro a partir de datas incorretas, métodos de votação inexistentes no país, além de questionamentos sobre a integridade das urnas eletrônicas. Apenas uma publicação foi barrada inicialmente, porém, acabou sendo liberada após seis dias, de acordo com a Global Witness.

Além disso, também como parte do teste, as publicações foram enviadas do Reino Unido e do Quênia, contrariando regras, e pagas com recursos de fora do país. A conta que pagou pelos anúncios não foi verificada pelo processo de autorização de anúncios do Facebook, um requisito para qualquer postagem relacionada a eleições.

“Apesar dos autoproclamados esforços do Facebook para combater a desinformação – particularmente em eleições de alto risco – ficamos chocados ao ver que eles aceitaram todos os anúncios de desinformação eleitoral que enviamos no Brasil”, afirma Jon Lloyd, consultor sênior da ONG, em comunicado.

Um dos conteúdos se tratava de uma peça publicitária que informava a data errada do dia do pleito deste ano e foi direcionado para uma comunidade indígena. Inicialmente o Facebook rejeitou a publicação, mas seis dias depois, voltou atrás e aprovou o post, afirma a ONG.

“O Facebook deve enfrentar urgentemente a desinformação que se prolifera em sua plataforma para evitar o risco de interferência eleitoral, desinformação, agitação e violência no Brasil”, completa o porta-voz.

Ao site Metrópoles, a Meta disse estar comprometida em proteger a integridade das eleições no Brasil e no mundo" e “que tem se preparado extensivamente para as eleições de 2022 no Brasil”.

Confira a nota do Grupo Meta na íntegra:

"Nos preparamos extensivamente para as eleições de 2022 no Brasil. Lançamos ferramentas que promovem informações confiáveis por meio de rótulos em posts sobre eleições, estabelecemos um canal direto para o Tribunal Superior Eleitoral [parceria firmada em fevereiro] nos enviar conteúdo potencialmente problemático para revisão e seguimos colaborando com autoridades e pesquisadores brasileiros".

"Nossos esforços na última eleição do Brasil resultaram na remoção de 140 mil conteúdos no Facebook e no Instagram por violarem nossas políticas de interferência eleitoral. Também rejeitamos 250 mil submissões de anúncios políticos não autorizados. Estamos comprometidos em proteger a integridade das eleições no Brasil e no mundo".

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