Com baixo quórum, Lira adia votação de PEC dos auxílios

Presidente da Câmara preferiu retirar a proposta de pauta, diante da ausência de 86 deputados

Publicado quinta-feira, 07 de julho de 2022 às 20:30 h | Atualizado em 07/07/2022, 20:30 | Autor: Da Redação
Sem a certeza da aprovação, Arthur Lira preferiu adiar votação da PEC dos auxílios
Sem a certeza da aprovação, Arthur Lira preferiu adiar votação da PEC dos auxílios -

Com apenas 427 dos 513 deputados presentes em plenário, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) decidiu cancelar a votação que aconteceria na noite dessa quinta-feira, 7, da PEC dos auxílios, proposta que cria novos benefícios e aumenta o valor de benefícios já existentes. A votação foi adiada para a próxima terça-feira, 12.

As medidas previstas na PEC, apelidada de "PEC Kamikaze" pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que considerava o texto original "suicida" por representar risco às contas públicas, devem resultar em um gasto não previsto de R$ 41,2 bilhões e exigirão a decretação de um "estado de emergência" no país a fim de contornar a legislação, que proíbe a geração de novas despesas em ano eleitoral.

A Constituição estipula que para se aprovar uma PEC é preciso, no mínimo, 308 votos favoráveis. "Só para esclarecer, não vou arriscar nem essa PEC nem a próxima PEC (que trata do piso salarial para os enfermeiros) com esse quórum na

Câmara hoje, 427 (deputados). Nada mais havendo a tratar, vou encerrar

os trabalhos", disse Lira.

Antes do fim da sessão, os deputados aprovaram um requerimento para encerrar a discussão da matéria, aprovado com 303 votos a favor. Feito a pedido do governo, o requerimento serve como "termômetro" para apurar a presença em votações desse tipo e, embora aprovado, indicou que os votos favoráveis não seriam suficientes para a aprovação da matéria.

O texto já foi aprovado no Senado, no último dia 30. Na manhã desta quinta, foi aprovada na comissão especial da Câmara que analisou o assunto. A oposição vê na PEC uma ação eleitoreira do governo. Ressalta que as medidas só valem até o fim do ano e, além disso, vão comprometer as contas públicas. Mesmo assim, no Senado, os oposicionistas votaram a favor do texto.

O que está em jogo:

Auxílio Brasil: ampliação de R$ 400 para R$ 600 mensais e previsão de cadastro de 1,6 milhão de novas famílias no programa (custo estimado: R$ 26 bilhões);

Caminhoneiros autônomos: criação de um "voucher" de R$ 1 mil (custo estimado: R$ 5,4 bilhões);

Auxílio-Gás: ampliação de R$ 53 para o valor de um botijão a cada dois meses - o preço médio atual do botijão de 13 quilos, segundo a ANP, é de R$ 112,60 (custo estimado: R$ 1,05 bilhão);

Transporte gratuito de idosos: compensação aos estados para atender a gratuidade, já prevista em lei, do

transporte público de idosos (custo estimado: R$ 2,5 bilhões);

Auxílio para taxistas: benefícios para taxistas devidamente registrados até 31 de maio de 2022. O valor total dessa medida será de até R$ 2 bilhões.

Alimenta Brasil: repasse de R$ 500 milhões ao programa Alimenta Brasil, que prevê a compra de alimentos produzidos por agricultores familiares e distribuição a famílias em insegurança alimentar, entre outras destinações

Etanol: Repasse de até R$ 3,8 bilhões, por meio de créditos tributários, para a manutenção da

competitividade do etanol sobre a gasolina.

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