SEM TANTO FAZ
Campanha de Lula acende o alerta após atos pró-Bolsonaro
Repercussão de atos do sete de setembro com o presidente exigem mudança de postura de Lula
Por Alan Rodrigues

A grande presença de público em apoio a Bolsonaro nas comemorações do sete de setembro acendeu um alerta na campanha do ex-presidente Lula. Um dos principais sintomas teria sido a gravação de um vídeo, que não chegou a ser divulgado, onde Lula ataca o presidente. Para muitos, a iniciativa, abortada pela coordenação da campanha, soaria como choro de perdedor.
Não é a primeira vez que a estratégia de marketing do ex-presidente e líder das pesquisas é questionada. Sidônio Palmeira, o marqueteiro responsável pelas campanhas vitoriosas do PT na Bahia e escalado para comandar a campanha de Lula após a saída de Augusto Fonseca, está sob pressão.
A redução da distância de Lula para Bolsonaro, que já foi de 15 e hoje já fica abaixo dos dez pontos em algumas pesquisas, pesam contra o planejamento do marketing lulista. E justamemnte no momento em que Bolsonaro parece conseguir reagrupar seus antigos eleitores, impulsionado pela melhora dos números da economia e pela farta distribuição de benesses eleitoreiras.
Diante desse cenário, chama a atenção o 'fair play' praticado no cenário estadual, onde Lula, apesar de manifestar o apoio em vídeos e participar do ato no Dois de Julho, ainda no período de pré-campanha, não prestigiou o lançamento da chapa de Jerônimo e tem mantido distância da agenda do candidato petista ao Palácio de Ondina.
Não custa lembrar que, às véspéras da homologação, circularam rumores de uma aproximação entre Luciano Bivar, presidente do União Brasil, e o ex-presidente Lula, na costura de um acordo que poderia envolver a retirada de candidatura d Jerônimo, em favor de ACM Neto. Coube ao senador Jaques Wagner, segundo informações de bastirores, barrar as negociações.
Aliá, não fosse por Wagner e, principalmente, pelo Governador Rui Costa, que goza de excelente avaliação, a candidatura de Jerônimo ainda estaria patinando. Parte disso, avaliam alguns petistas, se deve à neutralidade adotada por Lula na Bahia, o que seria parte da estratégia nacional.
Como as pesquisas apontam que boa parte do eleitorado de Lula tem ACM Neto como candidato ao governo estadual, a tentativa seria de preservar esses votos em favor do ex-presidente, sem avançar no eleitorado do ex-prefeito de Salvador. Em bom baianês, um jogo de compadres.
Ocorre que, diante de um colégio eleitoral de 11,2 milhões de habitantes, o bom desempenho de Lula e de seu candidato na Bahia pode ser a diferença entre vencer a eleição no primeiro turno ou correr o risco de uma virada no segundo. E, à medida que a vantagem de Neto diminui também na disputa local, uma mudança de postura de Lula se apresenta como urgente e necessária.
Ou Lula entra de vez na campanha de Jerônimo e avança no eleitorado de Neto, ou corre-se o risco de morrerem os dois abraçados em um segundo turno onde a polarização e o antipetismo se aglutinarão em torno dos adversários, tanto na Bahia quanto no Brasil.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Cidadão Repórter
Contribua para o portal com vídeos, áudios e textos sobre o que está acontecendo em seu bairro
Siga nossas redes