Olhar Futuro: Zé Ronaldo é uma liderança decisiva nas eleições de Feira

Publicado segunda-feira, 25 de novembro de 2019 às 06:47 h | Atualizado em 25/11/2019, 06:51 | Autor: Bruno Luiz

Ex-candidato a governador da Bahia em 2018, Zé Ronaldo (DEM) guarda consigo um feito. Mesmo fora da prefeitura de Feira de Santana desde abril do ano passado, quando renunciou ao cargo para disputar a eleição estadual, o demista será, na avaliação de quem acompanha a política local, o maior cabo eleitoral do pleito municipal, em 2020.

Quatro vezes prefeito da cidade, Zé Ronaldo é considerado como a maior liderança política da “Princesa do Sertão”. Não à toa. Mesmo após tantos anos à frente da prefeitura, ele parece não ter sido acometido do desgaste natural que costuma atingir figuras com sucessivos mandatos eletivos. Em 2016, foi reeleito, pela segunda vez, com 71,12% dos votos.

E é por isso que atrair o apoio dele é considerado essencial para ter uma candidatura competitiva no próximo ano. No entanto, até o momento, o ungido de Zé Ronaldo é uma incógnita. Um nome natural seria o do atual prefeito Colbert Martins (MDB), que foi vice em 2016 e assumiu o cargo com a renúncia do demista. Entretanto, fontes próximas ao ex-prefeito afirmam que ele já se movimenta para garantir opções diferentes, caso o emedebista mostre dificuldades de se viabilizar no próximo ano.

Fontes ouvidas por A TARDE em condição de anonimato apontam que a tendência do ex-prefeito é de não apoiar Colbert. Pesquisas internas encomendadas pelo DEM para avaliar o desempenho dele na gestão mostram que sua avaliação popular está em baixa.

Ronaldo, padrinho político e conselheiro do prefeito, também está insatisfeito com a diminuição de sua ascedência sobre o liderado, ao perceber que suas dicas não vêm sendo seguidas. Uma diferença de perfil é notada entre os dois: enquanto o criador tem um jeito de fazer política mais “corpo a corpo”, a criatura é menos afeita a este contato intenso. No entanto, a análise no entorno do prefeito ACM Neto (DEM) é de que Ronaldo deve optar por seguir com seu ex-vice. “Ele não consegue tirar uma costela dele e fazer prefeito. Por mais que seja um grande líder, um cara respeitado, não vejo margem para ele tirar um cara 100% dele”, disse fonte muito próxima ao também presidente nacional do DEM.

Uma opção ventilada dentro da sigla é o deputado estadual Targino Machado, o mais votado para o cargo na cidade em 2018. Entretanto, a possibilidade que o ex-prefeito opte pelo parlamentar é considerada pequena, principalmente por causa de seu temperamento, considerado como “difícil de lidar”.

Opções

Ronaldo trabalha com pelo menos três nomes que podem ser apoiados por ele no próximo ano: Zé Chico, Justiniano França e Carlos Geilson. Do DEM, o primeiro é atualmente presidente do clube Fluminense de Feira. Apontado como alguém próximo ao ex-gestor, chegou a ser lançado por ele como candidato a deputado federal em 2014. Outro cogitado é o vereador licenciado e atual secretário municipal de Serviços Públicos, Justiniano França, também ligado ao ex-prefeito.

A surpresa pode ficar por conta do ex-deputado estadual Carlos Geilson. Atualmente sem partido, o radialista teve uma relação política de mais de 20 anos com Ronaldo, rompida no fim do ano passado, quando os dois perderam as eleições, um para governador , o outro para deputado estadual.

Pré-candidato declarado a prefeito, no entanto, ele pode voltar ao antigo grupo, caso tenha garantia de que seria escolhido para a disputa. Atualmente, Geilson está na base do governador Rui Costa, mas busca uma sigla e apoio do petista para viabilizar sua participação na disputa. E não esconde de pessoas próximas sua insatisfação com o governo estadual. Não possui cargo expressivo na administração e sente-se pouco prestigiado.

O ex-deputado afirmou que quer construir uma candidatura de centro, que fuja da polarização entre PT e DEM e consiga dialogarcom os dois espectros. “Acho que está na hora de Feira eleger um político que tenha bom trânsito tanto com um segmento quanto com outro”, defendeu

Escolha

A definição do candidato do grupo ligado a ACM Neto em Feira terá o menor envolvimento possível do prefeito de Salvador. A avaliação no DEM é de que não pode haver interferência na condução do processo por Ronaldo. Vale lembrar que ele sacrificou seu mandato em 2018 para disputar o governo do Estado após a desistência de Neto de concorrer.

Manter a prefeitura é considerado essencial nos planos de Neto de concorrer ao governo estadual em 2022. Por isso, o DEM acompanha com atenção as discussões e desdobramentos eleitorais na cidade.

Outros nomes

Além das figuras que orbitam em torno da maior liderança política local, outros nomes cogitam concorrer a prefeito no próximo ano. Um deles é o vereador Roberto Tourinho, que pode disputar o pleito pelo PSDB. Ex-secretário municipal de Saúde, Rafael Cordeiro também é citado como provável candidato. Atualmente sem partido, ele pode sair pelo Avante, que sondou Geilson, mas depois viu as conversas esfriarem.

Outro que alimenta o desejo de concorrer no próximo ano é o deputado estadual Pastor Tom (PSL). Caso insista em ir para a disputa, deve enfrentar concorrentes fortes no partido: a deputada federal Dayane Pimentel e seu marido, o secretário municipal em Salvador, Alberto Pimentel. A avaliação é de que a candidatura de algum dos dois não tem força, após o rompimento do casal com o governo Bolsonaro. Mas os dois continuam no páreo.

Com cenário favorável, Zé Neto tenta o pleito pela quarta vez

2004, 2012 e 2016. Em todas estas ocasiões, o deputado federal Zé Neto (PT) tentou, mas não conseguiu chegar à prefeitura de Feira de Santana. Para 2020, já decidiu: vai disputar o cargo pela quarta vez. Quem acompanha o cenário eleitoral da segunda maior cidade baiana de perto acredita que essa pode ser a vez do petista.

Figura conhecida pelos feirenses pela sua insistência em governar o município e também pelos mandatos de deputado, ele tem aparecido na liderança das pesquisas de intenção de voto em Feira. Por outro lado, não vai enfrentar nas urnas a maior força eleitoral da cidade, Zé Ronaldo, e deve concorrer com Colbert, um provável candidato à reeleição com avaliação positiva em baixa junto aos eleitores.

No DEM, há quem acredita que, se as circunstâncias atuais forem mantidas no próximo ano, o partido precisará entregar a prefeitura de Feira nas mãos da oposição, mais especificamente do PT de Zé Neto. “Se Zé Neto não ganhar essa eleição em Feira de Santana, não ganha mais nunca”, avalia um nome da alta cúpula do partido no estado.

A análise também é de que o petista deve capitalizar politicamente obras feitas pelo governo baiano na cidade, surfando na boa aprovação do mandato do governador Rui Costa, estratégia que pode fortalecê-lo no páreo.

Apesar da conjuntura favorável, o pré-candidato pregou cautela. Disse que, se a eleição fosse hoje, uma candidatura de oposição ao grupo de Ronaldo venceria. Mas acredita ser necessário ter humildade e trabalhar na construção de um arco de alianças que pavimente sua chegada à prefeitura. “A gente encerra o ano com perspectiva boa. As perspectivas apontaram a gente na liderança das intenções de voto, mas isso é pouco diante de um quadro político que pode mudar”, afirmou.

Zé Neto declarou que o grupo político do adversário está fragilizado por ter apoiado o presidente Jair Bolsonaro na última eleição, arranhando a imagem de “conciliador” construída pelo ex-prefeito ao longo da carreira. Sua preocupação agora é buscar construir unidade na base aliada ao governador Rui Costa, já que Carlos Geilson também se declara pré-candidato pelo grupo. Outra dificuldade para ele será atrair o apoio do PSD. Mesmo que o partido apoie Rui estadualmente, na cidade, deve ir de Colbert Martins.

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