Ernesto Araújo rechaça classificação de Brasil como ameaça global na condução da pandemia: ‘Terrivelmente injusto’

Publicado segunda-feira, 22 de março de 2021 às 18:38 h | Atualizado em 22/03/2021, 18:41 | Autor: Da redação

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, considera “terrivelmente injusto” o Brasil ser visto como ameaça global por ter se tornado o epicentro da pandemia da covid-19, com recorde de novas mortes e infecções pelo coronavírus e celeiro de uma cepa com maior poder de transmissão.  

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que o descontrole da doença no País poderia colocar em risco o resto do mundo no  início do mês. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Araújo reage ao que considera “discriminação” com o Brasil e pontua que prometida “solidariedade” dos países ricos na distribuição mais igualitária de imunizantes não existiu até agora.

“Acho que isso é, antes de tudo, terrivelmente injusto, porque surgiram cepas em outros lugares.”, afirmou Araújo. “Surgiram no Reino Unido e na África do Sul. E ninguém diz que o Reino Unido e a África do Sul são ameaças globais. O Brasil está com números altos, claro, infelizmente. Estamos sendo golpeados por essa doença, obviamente. Existe aí uma visão um pouco discriminatória em relação ao Brasil.”

Questionado se o país havia ficado para trás na compra de vacinas, Ernesto Araújo elogiou o trabalho feito pelo ministério da saúde.

“Eu acho que desde o começo houve uma estratégia a meu ver muito bem conduzida pelo Ministério da Saúde. E que está nos dotando de uma capacidade equivalente a… Claro, inferior a de alguns países, que saíram na frente, como Chile, Israel, Estados Unidos e Reino Unido. Mas estamos em um ritmo equivalente a vários países europeus”, defendeu. 

“Acho que a gente tem que olhar muito esse quadro mundial. Nós estamos relativamente bem, claro que gostaríamos de estar melhor, como todo mundo. Mas não vejo esse problema, e também existe um problema mundial. Uma coisa é a contratação, outra coisa realmente é ter as vacinas”, completou. 

Ícone de militantes conservadores, criticado por diplomatas e com a demissão cobrada dentro e fora do governo, o ministro afirma não se sentir ameaçado por desempenhar um trabalho em nome do presidente e não pessoal: “Tenho certeza que não há nada desse tipo sendo pensado. Meu trabalho não é meu, é a implementação de uma agenda de política externa que o presidente traz desde a campanha”.

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