CARNAVAL NO RIO
Escola de samba se pronuncia após críticas a desfile em homenagem a Lula
Acadêmicos de Niterói publica nota oficial após repercussão e acusa perseguição durante o processo carnavalesco

A escola de samba Acadêmicos de Niterói se pronunciou oficialmente após as críticas e polêmicas geradas pelo desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, na noite de domingo.
Em nota publicada nas redes sociais, a agremiação afirmou ter sofrido perseguições políticas e defendeu a autonomia artística apresentada na avenida.
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Nota oficial após repercussão
Em publicação no Instagram, a escola iniciou o posicionamento agradecendo à comunidade e destacando o papel coletivo na realização do desfile.
“A Acadêmicos de Niterói começa essa mensagem agradecendo, de coração aberto, à sua comunidade. O que vivemos na Avenida só foi possível graças à força do povo, à união dos nossos componentes e ao amor de quem nunca deixou essa escola caminhar sozinha”, iniciaram.
Na sequência, a agremiação afirmou ter enfrentado pressões ao longo da preparação para o Carnaval e acusou tentativas de interferência em seu trabalho artístico. “Mas é preciso dizer a verdade. Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca".
"Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar. Não conseguiram”, afirmaram.
A escola também ressaltou que manteve sua proposta original apesar das críticas e pressões externas. “Mesmo pressionada, a Acadêmicos de Niterói não se curvou. Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade. A força da nossa comunidade foi o nosso pilar. A aclamação popular foi a nossa resposta. O carinho do público foi o nosso maior prêmio”.
Ao final da nota, a agremiação pediu avaliação justa no julgamento oficial do Carnaval. “Também não ignoramos o histórico conhecido no Carnaval: a narrativa injusta de que ‘quem sobe, desce’. Por isso, reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos”.
Desfile em homenagem a Lula gerou debate
A Acadêmicos de Niterói foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar na Marquês de Sapucaí, no domingo, 15, apresentando o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que destacou a trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente esteve presente no sambódromo, acompanhando o desfile em camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, e depois desceu para assistir à apresentação na avenida. O ator Paulo Vieira representou Lula durante o espetáculo.
O samba-enredo trouxe referências diretas ao político, incluindo menções ao número do Partido dos Trabalhadores nas urnas e o coro entoado por militantes: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.
Alusões políticas e críticas da oposição
O desfile também incluiu referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado por um palhaço caracterizado como preso, utilizando roupas listradas e tornozeleira eletrônica com sinais de violação.
Após a apresentação, opositores do governo classificaram o desfile como propaganda política antecipada em ano eleitoral e acionaram a Justiça questionando a participação do presidente no evento.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que pretende protocolar ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Nossa ação contra os crimes do pt na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA! Vamos vencer o mal com o BEM!", publicou.
O senador Sérgio Moro também criticou o desfile e questionou o uso de recursos públicos.
"Hoje o brasileiro assistirá algo inédito na Sapucaí. O dinheiro do contribuinte utilizado por uma escola de samba, a Acadêmicos de Niterói, para fazer propaganda eleitoral antecipada para o Lula. Coisa de caudilho populista. Caminhamos para uma democracia de fachada. Nunca antes na história do país viu-se tanta roubalheira master e desrespeito à lei", declarou Moro.
Governo federal rebate acusações
O financiamento federal citado nas críticas foi repassado por meio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), que destinou R$ 12 milhões às 12 escolas do Grupo Especial do Carnaval do Rio.
Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, o apoio não tem relação com os enredos escolhidos pelas agremiações.
"Não há nenhum favorecimento com alguma relação com o enredo. Se uma escola homenageia o Lula, se outra homenageia a Rita Lee, se outro vai homenagear o Ney Matogrosso, essa é uma escolha de cada escola. Nós somos um órgão de promoção do Brasil e não de censura", declarou.
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