FHC, Lula, Rui e outros políticos apoiam Dilma após Bolsonaro questionar tortura

Publicado terça-feira, 29 de dezembro de 2020 às 14:48 h | Atualizado em 29/12/2020, 17:48 | Autor: Da Redação

Uma série de políticos, entre eles os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou apoio à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) após provocação do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (sem partido), sobre a tortura que a petista sofreu durante a ditadura militar.

Em uma rede social, o FHC afirmou que “brincar com tortura é inaceitável”, independentemente do lado político das vítimas. Além disso, segundo ele, as declarações de Bolsonaro “passam dos limites”.

“Minha solidariedade à ex-presidente Dilma Rousseff. Brincar com a tortura dela - ou de qualquer pessoa - é inaceitável. Concorde-se ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites”, disse FHC.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também reagiu. “O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade a presidenta @dilmabr, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais reconhecerá", escreveu o petista em uma rede social.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), também apoiou a ex-presidente. “Tortura nunca mais! Que se respeite as vítimas de um período triste da nossa história. Minha solidariedade à ex-presidenta Dilma Rousseff e a todos que sofreram direta ou indiretamente com as torturas”, disse.

Em postagem no Twitter, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que "tortura é debochar da dor do outro".

"Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade a ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana", postou.

Ironia

Nesta segunda-feira, 28, Bolsonaro ironizou a tortura sofrida pela petista no período em que ela foi presa, em 1970, durante a ditadura militar.

"Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-X", afirmou.

Em resposta, Dilma rebateu e classificou Bolsonaro como fascista, sociopata e "cúmplice da tortura e da morte".

Para a petista, Bolsonaro mostra, "com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador" e "ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte."

Esta não é a primeira vez que o presidente faz declarações relacionadas às torturas sofridas por Dilma.

Durante a votação do processo de impeachment da ex-presidente, em abril de 2016, o então deputado usou seu discurso para exaltar o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi, órgão de repressão política da ditadura militar, entre 1970 e 1974. Na ocasião, chamou-o de "o pavor de Dilma Rousseff".

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, também criticou as declarações do presidente.

"Pense em um homem que no meio de uma onda de feminicídios debocha de uma mulher presa e torturada. Esse sujeito existe e, pior, preside o Brasil", disse Santa Cruz nesta terça.

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