Governo e políticos baianos manifestam preocupação com 7 de Setembro

Publicado terça-feira, 07 de setembro de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 06/09/2021, 21:39 | Autor: Rodrigo Aguiar

Autoridades governamentais e políticos expressam preocupação com o caráter dos atos desta terça-feira, 7, organizados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na Bahia, a exemplo de outros estados, o governo agiu para tentar evitar a participação de policiais nas manifestações. Ao mesmo tempo, há o temor por enfrentamento nas ruas - em Salvador, estão marcados atos a favor e contra Bolsonaro na Barra e no Campo Grande, respectivamente.

Em março deste ano, políticos bolsonaristas tentam usar politicamente a morte do soldado da PM Wesley Soares para incitar um motim contra o governador Rui Costa e atacar as medidas restritivas em vigor na época.

Congressistas baianos opositores do governo Bolsonaro preveem grandes atos a favor do presidente e alertam para os riscos ao ambiente democrático, ainda que a movimentação não resulte em um golpe propriamente dito.

Relatora da CPI das Fake News, a deputada Lídice da Mata (PSB) afirma que Bolsonaro busca respaldo popular para implantar uma espécie de "governo ditatorial". "Não é apenas um blefe. Ele joga o barro na parede para ver se cola", compara a parlamentar, em referência aos discursos do presidente.

Recentemente, Bolsonaro voltou a falar em risco de "ruptura" e afirmou que as manifestações serão um "ultimato" a "duas pessoas" - os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada Alice Portugal (PCdoB) chama a atenção para uma carta assinada por ex-presidentes e parlamentares de 26 países que aborda os riscos de uma “insurreição” no Brasil. "É algo fora de contexto nos dias de hoje. Mas já vimos que ele foge ao senso comum, não tem qualquer respeito às instituições ou à própria história do Brasil, ao fazer isso do 7 de setembro. Quem conhece Bolsonaro se preocupa", diz.

Já o deputado Afonso Florence (PT), vice-líder da oposição no Congresso, vê em Bolsonaro um "incontinente verbal" e não acredita que as circunstâncias o favoreçam. "Esse ambiente da crise sanitária fez alguns setores não aceitarem esse padrão incivilizado, mesmo ganhando dinheiro. [A manifestação] Deve ser grande, porque eles estão gastando dinheiro. Mas não alterará a tendência de que, com a continuidade da CPI da Covid e da investigação dos crimes cometidos, ou ele vai ser impedido ou se inviabiliza eleitoralmente, inclusive podendo ter a chapa cassada, ou perde a eleição", prevê.

O presidente do PT em Salvador, Ademário Costa, defende a necessidade de a oposição responder à altura nas ruas, também com grandes manifestações, independentemente das condições favorecerem ou não os planos bolsonaristas. "Compreendemos que os democratas não podem vacilar e deixar que o governo avance no seu intento autoritário", afirma. Ele acredita que o ato deste 7 de setembro será um dos maiores registrados recentemente contra Bolsonaro na capital baiana, com a unificação de partidos, entidades sindicais e movimentos no tradicional Grito dos Excluídos, no Campo Grande.

O dirigente afirma que a orientação é evitar confronto com apoiadores do governo e, por isso, a manifestação seguirá para a Praça Municipal, em direção oposta à Barra.

Polícia - Líder de greves da Polícia Militar baiana, o deputado estadual Soldado Prisco (PSC) reagiu às ações anunciadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) contra policiais que participem de "atos antidemocráticos". Prisco tem convocado para uma manifestação "pacífica e ordeira" nesta terça no Farol da Barra.

No último sábado, 4, o secretário de Segurança, Ricardo Mandarino, afirmou que policiais poderão ser expulsos da corporação caso participem de atos com "ataques" às instituições.

"Secretário, a sua obrigação é punir a todos que cometam atos criminosos, seja policial militar, advogado, jornalista, político, secretário, seja quem for. O ato do dia 7 é democrático, pacífico e ordeiro. Ir às ruas se manifestar é um direito democrático, está na Constituição. [...] Vossa Excelência, como secretário de Segurança, tem que fazer isso, e não direcionar para os policiais militares. A nossa luta por justiça e liberdade vai continuar sempre", afirmou Prisco, em vídeo publicado nas redes sociais.

Em nota, a SSP informou que as Corregedorias das polícias Militar, Civil e Técnica, além do Corpo de Bombeiros, autuarão aqueles que participarem de "atos antidemocráticos" no dia 7 de setembro. Segundo o titular da pasta, as instituições são "sagradas" e não podem ser alvos de ataques.

Além de Prisco, já anunciaram participação na manifestação na Barra os deputados estaduais Capitão Alden e Talita Oliveira, ambos do PSL. Também apoiador de Bolsonaro, o vereador Alexandre Aleluia (DEM) informou que vai ao ato da Avenida Paulista, em São Paulo, junto com o presidente.

Com participação especulada no ato de Salvador, o ministro da Cidadania, João Roma, informou ao A TARDE que estará na manifestação de Brasília, onde também são aguardados outros ministros.

Ao lado de São Paulo, a capital federal deve ser o cenário das maiores manifestações de 7 de setembro, tanto a favor quanto contra o governo, e tem recebido caravanas de todo o país nos últimos dias. Bolsonaro já afirmou que pretende participar dos atos nas duas cidades - pela manhã em Brasília e à tarde na capital paulista.

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