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"Marido traído terá assistência", diz deputado Isidório

Publicado segunda-feira, 03 de agosto de 2015 às 12:08 h | Atualizado em 03/08/2015, 12:08 | Autor: Biaggio Talento
Sargento Isidório
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Ele foi o segundo deputado estadual mais votado na eleição do ano passado, com 123 mil votos, a metade de eleitores de Salvador. O pastor Isidório de Santana tenta sair do PSC para, em outro partido, se lançar pré-candidato à prefeitura da capital baiana, com o aval, segundo ele, do governador Rui Costa (PT), seu líder político.

O senhor no passado queria ser prefeito de Candeias. Desistiu para disputar a prefeitura de Salvador?

Não se desiste de quem ama. Agora chega um momento em que você evolui, o povo começa a lhe conhecer mais. Saí candidato a prefeito de Candeias três vezes sem recursos e perdi. Minha candidatura, geralmente, não tem apoio de empresários. Faço os projetos que é bom para a qualidade de vida do povo, mas não quero ninguém "garrado" no fundo das minhas calças. Porque sempre defendi que os candidatos que têm os empresários apoiando, ele vira "manicango", vai ser governado pela bunda, não será político do povo. Ele vai fazer o que os empresários quiser (sic).

Mas quem teve a ideia de disputar a prefeitura de Salvador?

Abaixo de Deus tenho um líder, o governador Rui Costa. Ele sinalizou que era melhor para mim disputar Salvador. Ele olhou os números. Eu tive quase 60 mil votos (dos 123 mil votos) em Salvador. É bom registrar que são votos conseguidos sem santinho, diabinho, banner, comitê. Não pude ir a palanque de ninguém. Então, o povo votou em mim porque percebe meu trabalho com pessoas. Fui drogado, fui planejador de assaltos, fui homossexual. Tudo isso há 24 anos. Depois que conheci a palavra de Deus, ele mudou a minha vida. De lá para cá não sou santo, mas melhorei um bocado.

As pessoas que você atende na Fundação Senhor Jesus também vêm de Salvador?

Setenta por cento são de Salvador. Das 1.280 (internadas), umas 800 são da capital.

O senhor se reuniu semana passada com o deputado federal João Carlos Bacelar e o vereador Gerando Muniz do PTN. É uma opção de filiação do senhor que está de saída do PSC?

É uma opção, mas quem vai definir é o governador Rui Costa.

O senhor vai ser uma espécie de anticandidato, para enfrentar o prefeito ACM Neto, que tem liderança forte em Salvador?

Não sou contra Neto. Sou a favor do povo da outra Salvador, dos lascados, dos lenhados que estão nas encostas, nos morros, nas periferias, os menos favorecidos, os mais carentes. Porque nós temos duas Salvador. A dos poderosos, que é preparada o tempo todo para receber turistas. É importante receber os turistas, mas é preciso olhar  para a periferia. Porque existe a Salvador da orla, inclusive da pior orla que mata gente. Investiram na orla que tem pedra, ondas e esqueceram da orla de Paripe, de Periperi, de Itacaranha, a orla dos pobres de mar calmo. Ali que eles deveriam fazer a orla, que não mata as pessoas. Na periferia estão os lascados, que votam e colocam as pessoas no poder, e tem os abastados. O tempo todo o dinheiro público sendo gasto para a melhoria dessa área dos ricos. R$ 45 milhões para trocar a pavimentação do Rio Vermelho e sem ouvir o povo. E R$ 5 milhões, apenas, aplicados pelo município nas encostas. Já o governador Rui Costa, que pensa no povo, aplicou R$ 150 milhões nas encostas. Precisamos sonhar com uma Salvador única.

Tem se falado também no nome do ministro da defesa Jaques Wagner como candidato a prefeito de Salvador.  Nesse caso, o senhor disputaria a eleição com ele?

De forma nenhuma. Jamais vou disputar uma eleição com alguém que simboliza o bem. Existem duas Bahia (sic). A ditatorial, do mandatário maior, governada por inspetor, com todo mundo tendo que se agachar, e a Bahia que veio de fora, amando o estado. Ninguém vai poder negar que a Bahia tem essas obras estruturantes que tem hoje não fosse Jaques Wagner. Se ele disputar, serei seu cabo eleitoral.

Eleito prefeito, pretende implantar uma sucursal da Fundação Dr. Jesus em Salvador, para atendimento de dependentes químicos?

Não. Vai aumentar o atendimento ao povo de Salvador, consequentemente de toda a Bahia. Eu tenho obrigação de todos os baianos. Não vou transformar Salvador num centro de recuperação de dependentes químicos. Vou ampliar o trabalho da fundação, captando recursos do governo federal, buscando empresários. Como prefeito, as pessoas lhe respeitam mais. Não adianta fazer um centro na cidade porque o traficante vai levar a droga lá. Por isso é preciso um local isolado e com muito verde, como a fundação.

Salvador abriga o Grupo Gay da Bahia, que é o mais antigo do gênero do Brasil, que faz um trabalho de apoio aos homossexuais. Como serão suas relações com essa entidade?

Só eu saber que é o melhor do Brasil já estou contido. Porque a Bahia tem que dar exemplo em tudo. Eu era do candomblé. Eu manifestava. Filho de Oxum com Logun Edé. Tinha o caboclo Arco Grande e o erê Peninha que manifestavam em mim. Conhecer gay, eu conheço demais, não é à toa que Deus me  tirou tudo isso. Agora, o respeito às pessoas tem que ser mantido. Primeiro, tenho que separar a religião do político. O Pastor Isidório prega contra as práticas. A Bíblia diz: "Não deitarás com homem como se fosse mulher", até porque não existem três sexos. Só existe macho e fêmea. Até ateu sabe disso. Agora, se o macho resolveu se feminilizar, é um macho vestido de saia. Mas sexo é coisa de quatro paredes. Não posso, como homem público, me meter na questão sexual. Então, o GGB, no dia que resolver me visitar,  vai ser bem recebido. Fui presidente da Comissão de Tolerância Religiosa da Assembleia Legislativa. Tinha uma mãe de santo e uma ekêde me assessorando. Prefeito administra dinheiro do povo, do gay, da lésbica, do candomblé, do espírita.

A prefeitura patrocina, tradicionalmente o concurso de fantasias gay, na segunda-feira de Carnaval. O senhor vai cortar esse patrocínio se for prefeito?

Não posso acabar, como prefeito, aquilo que é tradição. Como pastor, eu não vou lá. Posso mandar o vice-prefeito, que, quem sabe, pode ser até um gay. Ninguém vai impedir o concurso. Assim como ninguém vai impedir que eu organize um carnaval com evangélicos.

Houve um ex-prefeito de Salvador que pensou em mandar retirar as esculturas dos orixás do Dique do Tororó. O senhor, como evangélico, pensa em fazer isso caso chegue à prefeitura?

Sou honesto. Pensei em tirar os orixás dali. Mas depois entendi que ao invés de tirar, para não virar intolerância religiosa - é claro que o estado é laico e nesse caso não deveria ter orixás, Bíblia -, o justo seria, no outro lado do Dique, colocar a escultura de uma Bíblia. É um projeto meu como deputado. A Bíblia prega que os irmãos vivam em união. Não dá para separar o candomblé de Salvador. Eu fui do candomblé, deixei amigos e parentes lá. Cada qual vai fazer seu cada qual. É preciso respeitar todos os credos.

Outro projeto polêmico do senhor que nunca foi aprovado na Assembleia Legislativa é o que propõe a criação do serviço de apoio psicológico, nos postos de saúde, para maridos e mulheres traídos, chamado por seus colegas de "amansa-corno". Como prefeito, pensa em implantar nos postos da prefeitura?

Como administrador, será meu direito me entender com o pessoal de psicologia, de assistência social e preparar o processo. Não tem o centro de referência para os gays? Não vai ser mantido com dinheiro público? Por que eu não posso criar um centro para atender pais e mães de família que se sentem traídos ou tiveram uma decepção amorosa e pode dar um tiro na cabeça? Ou matar filhos e a mulher. Os crimes passionais estão aumentando até por causa da fragilidade da família. A maior vítima é a mulher. O que custa ao poder público ter um local de atendimento psicológico para infidelidade conjugal? Se eu for prefeito, farei sim, um centro de atenção especial da família contendo lá o atendimento a vítimas de infidelidade conjugal, para ele receber apoio e não praticar algum tipo de violência.

O senhor pensou também num centro para pessoas em dúvida quanto à sexualidade...

Sim. Coloco também um centro para atender pessoas em dúvida sobre seu sexo. Apoio para reorientação sexual. Muita gente fica em dúvida sobre sua sexualidade. Vamos dar apoio a esse segmento. Qual o problema? Se eu sou homem, estou achando que sou mulher e depois não quero mais. Ninguém melhor que um profissional de saúde conversar com essa pessoa. Não é forçar nada. O que (o cantor) Agnaldo Timóteo diz toda hora: sexo é coisa de quatro paredes. Não devia nem ser assunto do governo. Se quer fazer sexo com um jegue, se tranque lá no seu quarto, agora não pode trazer para o meio da rua.

Houve um momento em que o senhor se sentiu cercado pelo que chamou de lobby gay e lançou a ideia de fazer um dia de homenagem ao heterossexual. Como é isso?

É para a manutenção da espécie humana. Não tem centro de apoio à homossexualidade? Por que não pode ter de heterossexualidade? Você está vendo aí a preservação da tartaruga, do macaco, da baleia, por que não do homem?

Quando sai a decisão do senhor sobre a filiação ao seu próximo partido?

Dei entrada no Tribunal Regional Eleitoral do pedido de desfiliação do PSC. Pedi rejeição partidária. Se eu sou de um partido, quero ser candidato a prefeito, penso ter condições,  sou tolhido e meu partido anuncia que vai apoiar outro candidato, então fechou a porta para mim. Não tem mais convívio. É um projeto constrangendo o outro. Faço parte do projeto do governador Rui Costa, capitaneado pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, é o projeto de governo na Bahia que eu mais gostei, assino, como também o presidente do meu partido (PSC) de alinhar ao projeto do prefeito de Salvador. Acho que possivelmente o Judiciário vai entender que não dá mais. Agora tomar o mandato que o povo me deu? Não é justo. Estou orando para que o Tribunal Regional Eleitoral julgue logo meu pedido.

Mais tem uma sigla que o senhor tem mais afinidade para entrar?

Deixei essa escolha para o meu líder político, o governador Rui Costa.

O senhor entraria nesse novo partido que o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, está criando, o PL?

Não, porque parece que lá já tem candidato a prefeito de Salvador, o próprio Nilo. Imagino que teremos uns cinco candidatos de partidos da base do governo. O partido que nos procurou e disse que as portas estão abertas é o PTN.

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