No Curuzu, lideranças cobram Lula por mais espaço para pretos na política

Publicado quinta-feira, 26 de agosto de 2021 às 20:01 h | Atualizado em 26/08/2021, 22:36 | Autor: Luiz Felipe Fernandez

Recebido ao som dos tambores do Ilê Aiyê, o ex-presidente Lula (PT) chegou à Senzala do Barro Preto, no Curuzu, já no final da tarde desta quinta-feira, 25, para o seu último compromisso público em Salvador.

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Antes do seu discurso, ouviu as lideranças de movimentos negros da capital, e foi cobrado para que, caso vença as eleições, haja espaço no alto escalão do governo para pretos e pretas.

Trajado com boné e faixa do Ilê, o ex-presidente sentou ao lado da futura esposa Janja e do senador Jaques Wagner (PT), mas ficou de pé para observar atento às reivindicações das lideranças. Entre elas, a yalorixa Jaciara Ribeiro, o presidente do Olodum, João Jorge Santos, e a jovem Samira Soares, do Movimento Negro Unificado.

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Samira reivindicou a presença de uma mulher, negra ou indígena, como vice na chapa de Lula em 2022. "Quero ver um dia uma mulher preta presidente da República", disse a ativista.

A socióloga Vilma Reis, pré-candidata do PT à prefeitura de Salvador no último pleito, também aproveitou a oportunidade para cobrar espaço para pretos no governo e em ministérios. "Precisamos de mais pretos no governo, em um Ministério da Educação, por exemplo", pediu Vilma, que também apontou para a falta de representatividade no Congresso.

"Companheiros e companheiras, se eu soubesse há 20 anos o que sei hoje, eu faria muito mais para reparar o prejuízo que o povo negro tem acumulado de 400 anos no país. Hoje foi uma lição de vida para mim. Se eu tivesse juízo, nem faria discurso hoje, pegaria todo material que vocês me deram, colocaria a Janja para ler em voz alta e depois colocaria isso como pauta do programa de governo que pretendemos apresentar ao Brasil no próximo ano", afirmou Lula, no início de seu discurso. Ele recebeu livros e manifestos no local.

Lula disse que, durante o seu governo, procurou ampliar a presença da diplomacia brasileira na África como uma forma de reparação. "Visitei 34 países africanos, abri 19 embaixadas. Não queria que o Brasil passasse por cima da África fingindo que não conhecíamos, por isso abrimos universidade em Moçambique", citou.

O petista voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro. "Ao invés de falar em paz, só fala de ódio, de violência. Esse homem nunca devia usar o nome de Deus. Não adianta fazer fake news conta o Lula, a verdade sempre vencerá", afirmou. Lula ainda prometeu, caso eleito, "rever muitas das safadezas que estão fazendo com empresas públicas".

O atual senador do estado, Jaques Wagner (PT), também discursou no local. Em sua fala, o ex-governador petista falou da importância de lutar pelo fim do preconceito no Brasil e aproveitou para enfatizar que esse foi um dos pilares que regeram a última eleição a presidente da República, além de "ódio" e "intolerância".

"Eu gosto de dizer que é fácil construir uma estrada, é fácil construir um hospital. Tudo isso, até certo ponto, é considerado fácil. Construir obras físicas. Mas a luta mais difícil que a gente tem é demolir o 'edifício do preconceito' que, ao longo de cinco séculos no Brasil, foi construído na cabeça daqueles que ainda sonham com a volta da escravidão. Tivemos uma eleição, em 2018, regida por ódio, preconceito e intolerância. Existe uns 20 ou 25% que tinham esse preconceito escondido no armário, porque nós impúnhamos a regra da 'intolerância zero'. Aqui conosco está toda a prova da convivência e da tolerância", concluiu Wagner. 

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