Oposição critica discurso morno de Lira sobre atos de Bolsonaro: “Não tem compromisso com a democracia”

Publicado quarta-feira, 08 de setembro de 2021 às 17:09 h | Atualizado em 08/09/2021, 17:24 | Autor: Da Redação

Após um posicionamento considerado apático do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em relação aos arroubos golpistas do presidente Jair Bolsonaro nos atos de 7 de setembro, políticos de oposição criticaram o pepista. O bloco criticou, sobretudo, a falta de citação aos pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro em andamento na Câmara.

Lira defendeu, nesta quarta-feira, 8, a pacificação entre os poderes em seu 1º posicionamento público depois das manifestações pró-Bolsonaro. Lira declarou ser preciso “dar um basta” ao tensionamento entre os poderes, principalmente em relação a “bravatas” feitas pelas redes sociais, e colocou o Legislativo como “ponte de pacificação entre o Judiciário e o Executivo”.

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Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Lira “não tem compromisso com a democracia”.

“Lamento que ele não tenha compromisso com a democracia, porque se tivesse, estaria colocando em pauta o impeachment do presidente Bolsonaro. Eu lamento, sinceramente, a postura, a atitude e o descompromisso do presidente da Câmara Federal com a democracia brasileira”, disse o governador.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) classificou o posicionamento de Lira como “parcial”. Segundo ele, o “erro” de eleger Bolsonaro deve ser corrigido por “impeachment” ou “eleição”.

“A única verdade no discurso de Lira, mesmo assim parcial, veio na confissão do final: “teve um errinho básico ali…”. Não foi só 1 erro, foram vários, mas o pior de todos foi eleger Bolsonaro. Vamos corrigir, seja pelo impeachment ou pela eleição, pois só assim sairemos do caos”.

Sem citar Lira, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que “posicionamentos acanhados” são cúmplices de “golpismos”.

“Quando um dos valores mais preciosos da nossa sociedade, como a democracia, está em jogo, não há espaço para dois lados. A covardia é um sentimento que nunca teve e nunca terá espaço na História. Lamento os posicionamentos acanhados e que beiram a cumplicidade com o golpismo.”, escreveu o senador no twitter. 

A líder da bancada feminina no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), fez uma metáfora ao Império Romano, período histórico da antiga civilização romana, ao cobrar um posicionamento mais incisivo de Lira.

“Nero continuou tocando Lira depois de botar fogo em Roma. “Nero”, continuará tocando “Lira”, depois de botar fogo em “Roma”. Quo Vadis? Até quando?”, escreveu no Twitter.

Nero foi um imperador romano. Relatos afirmam que, no período em que governou, ele ficou tocando lira enquanto Roma queimava. Ela fez um trocadilho com o instrumento musical ao citar o presidente da Câmara.

“Pronunciamento de Lira tem a marca pusilânime dos interesses mesquinhos e da covardia.Ñ cita Bolsonaro.Não falar nada sobre o não cumprimento de decisão do STF,crime de responsabilidade,mostra a sua conivência c/o banditismo do genocida.Fala do voto impresso tem um mês de atraso.”, escreveu em suas redes socaiis o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Segundo a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), o discurso de Lira foi “lamentável” e “patético”.

“Lamentável, para não dizer patético, o discurso de Arthur Lira na Câmara. Depois da ofensiva golpista de Bolsonaro, Lira insiste em ser cúmplice do fascismo, sequer cita o nome do presidente e cala sobre o impeachment. Se mostra um lacaio de Bolsonaro”, disse nas redes sociais. 

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