adblock ativo

Pedro Simon vê com "extrema preocupação" aproximação de Bolsonaro com o Centrão

Publicado domingo, 03 de maio de 2020 às 06:02 h | Atualizado em 02/05/2020, 18:27 | Autor: Osvaldo Lyra
Foto: Waldemir Barreto | Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto | Agência Senado -
adblock ativo

O ex-senador Pedro Simon (MDB) disse ver com "extrema preocupação" a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com os partidos que integram o Centrão. Hoje sem partido, o capitão da reserva foi eleito sob a promessa de estabelecer uma nova relação entre o Palácio do Planalto e o Congressso Nacional, sem o tradicional fisiologismo do "tom lá, dá cá", onde as negociações de cargos por apoio no Legislativo imperavam. "O Centrão, cá entre nós, foi um mal para o Brasil. A presença dele não teve nada de positivo. A operação Lava Jato pegou muita gente do Centrão, do MDB e de outros partidos, então ele cria essa angústia desnecessária ao se aproximar deles. Coisas assim, no meu entender, acontecem com uma brutalidade sem igual", afirmou o ex-senador de 90 anos, ao analisar que a manobra do presidente da República se deu como forma de criar uma bancada que lhe dê sustentação e a mínima segurança no Congresso Nacional.

"Quando o Bolsonaro assumiu, fiz questão de destacar dois fatos relevantes naquele momento, que foi a escolha do então juíz Sérgio Moro e o discurso de fortalecimento ao combate à corrupção no país, além da escolha da equipe econômica. No entanto, o que chama a atenção é que as coisas estavam indo muito bem. E, de repente, ele muda tudo e cria essa onda de problemas, abrindo essas crises", afirmou Pedro Simon, ao destacar a pressão que Bolsonaro recebe dos filhos, "que ele não tem competência para freá-los", sobretudo, diante do fogo cruzado com a Rede Globo.

O ex-senador disse ter certeza que vão avançar, no Supremo Tribunal Federal (STF), as investigações solicitadas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, sobre as acusações de Moro de tentativa de utilização política da Polícia Federal, por parte de Bolsonaro, além da participação do presidente num ato contra a democracia e a favor da reedição de um AI-5, em Brasília. "As investigações são reais. Pena que, com o tempo, fomos vendo que o otimismo do presidente com o combate à corrupção foram diminuindo. Ao invés dele dar força ao projeto anticorrupção, permitiu mudanças substanciais, como a instituição do juiz de garantias e as ameaças ao trabalho de juízes e promotores".

Questionado se já havia espaço para se falar no impeachment do presidente da República, o ex-senador do Rio Grande do Sul afirmou que a população, de um modo geral, entendia ser um drama muito grande a abertura de um processo de impedimento neste momento. "Acho que, a essa altura, vivemos uma situação incompreensível", afirmou, ao destacar os problemas vivenciados pelos brasileiros no enfrentamento ao novo coronavírus, que não sustentam a mudança no comando da nação.

O ex-senador chama a atenção ainda para as três principais áreas com problemas hoje no governo: a política, a economia e a saúde. "Temos que reconhecer o momento difícil que vivemos, como o mundo inteiro, que está tendo que conviver com esse novo vírus". No campo da economia, ele destacou que o ex-presidente Michel Temer, do MDB, já havia colocado em prática medidas importantes que, sequenciadas pelas reformas do presidente Bolsonaro, deram mostras de que iriam tirar o Brasil da crise e recessão que estava vivendo. "Mas ai vem essa questão mais dramática e absolutamente desnecessária, que é o fato de o presidente da Republica abrir uma onda de crises políticas, aonde não existia crise. Eu chego à conclusão que ele tem uma instabilidade emocional. Ele vê um microfone e não tem autocontrole, não diz nada com nada. O presidente cria problema aonde não existe", lamentou, ao ressaltar que o governo ia bem, "as coisas estavam se desenvolvendo, mas o presidente criou atritos com a China, com os árabes, tentou indicar o filho para a embaixada dos Estados Unidos. "Ou seja, ele insiste em criar guerra aonde não tem, criando situações que são realmente dramáticas e que acabam atingindo a todos", afirmou, para lamentar também o desgaste de Bolsonaro com prefeitos e governadores no enfrentamento do novo coronavírus. Por fim, Pedro Simon destacou a atuação dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, que, mesmo no ambiente de crise, tem conseguido aprovar reformas importantes para o país e atuar no combate à pandemia e no socorro aos estados e municípios.

adblock ativo

Publicações relacionadas