Busca interna do iBahia
HOME > POLÍTICA

POLÍTICA

Polícia Civil ameaça greve. PM é contra

Biaggio Talento, do A Tarde*
Por Biaggio Talento, do A Tarde*
| Atualizada em

>>Paralisação de policiais não é regulamentada

O Sindicato dos Policiais Civis (Sindpoc), comandado por Crispiniano Daltro, ameaça deflagrar uma greve da categoria assim que o Diário Oficial do Estado publicar a mensagem de aumento de salário dos servidores após a nova redação do projeto requerida pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, Waldenor Cardoso (PT), para agilizar a tramitação na Casa. A previsão é que o DO publique a mensagem na edição desta quarta-feira, 26. A alteração desejada pelo Sindpoc (um índice de aumento igual ao dos delegados) não deverá ser efetivada, pois o secretário estadual da Administração, Manoel Vitório, já deu por encerradas as negociações de aumento para o funcionalismo este ano.

Tudo sobre Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Daltro não aceita o fato de os policiais civis receberem um aumento de 4,46%, mais 0,77% em outubro, enquanto os delegados receberiam 38,21%. Promete juntar trinta colegas e se algemar em frente ao antigo prédio da Secretaria da Segurança Pública, na Piedade, para protestar.

Contudo, a proposta de greve do Sindpoc não terá a adesão dos policiais militares, cujas associações mandaram representantes para a assembléia dos servidores da Segurança Pública realizada na manhã desta terça-feira, 25, na Associação dos Funcionários Públicos. Cerca de 250 pessoas participaram da assembléia, que foi marcada por desentendimentos e gritaria.

SEM CLIMA – O presidente da Associação de Praças da PM (APPM), soldado Agnaldo Pinto, disse não haver no momento clima de greve na corporação, embora os PMs tenham rejeitado a proposta de aumento do governo. “Houve muita gente chamando esse governo de traidor na assembléia, pois o projeto (de aumento) foi realmente uma matéria danosa, mas, por enquanto, não há indicativo de paralisação: vamos nos mobilizar para mostrar nossa insatisfação, pressionando, inclusive, os deputados que vão apreciar a mensagem na Assembléia Legislativa”, disse, cobrando explicações do governador Jaques Wagner diante do índice de 4,46% de aumento. A APPM conta com 7.200 associados.

VIOLÊNCIA – O presidente da Associação dos Oficiais da PM - Força Invicta, capitão Sílvio Correia, outro representante de categoria que participou da assembléia, disse não ser possível realizar uma greve nesse momento, “com os problemas de violência que a cidade está enfrentando”. Ele assinalou que um policial civil pode fazer greve “sem maiores problemas”, mas o caso muda quando se trata da Polícia Militar, onde o regulamento proíbe paralisações, sob pena de expulsão da corporação. “Não vamos levar a PM a uma greve irresponsável”, declarou, ponderando que “o momento é de negociar”.

Os oficiais receberam um aumento diferenciado do resto do funcionalismo, no mesmo patamar que os delegados. Correia desmentiu, contudo, que o índice tenha sido de 38,21%, como vem afirmando o Sindpoc. Pelas contas da Força Invicta, o índice dos oficiais da PM e delegados varia de 17% a 20%, mesmo assim, bem maior que os dos outros servidores. A diferença em relação aos delegados é que os oficiais só receberão o aumento em outubro. Por essa razão, a Força Invicta decidiu se incorporar à mobilização dos sindicatos da área da Segurança Pública, mas visando reivindicar a antecipação do aumento para março e sua extensão aos soldados.

Para tentar manter um diálogo dos sindicalistas com o governo, o deputado Capitão Tadeu, (PSB) representante dos policiais militares na Assembléia Legislativa, convocou uma sessão extraordinária na Casa para a manhã deSTA quarta-feira, 26, com o objetivo de discutir a questão do aumento salarial da área da Segurança Pública. “Qualquer greve é prejudicial à população, ainda mais se tratando do policiamento nas ruas”, alegou.

Após realizar reunião na Carlos Gomes, oficiais e praças da PM, escrivães, peritos-técnicos e agentes penitenciários fizeram protesto no centro da cidade, o que provocou congestionamento no trânsito. Defronte à Secretaria da Segurança Pública da Polícia Civil, na Piedade, acusaram o governo de falta de respeito com os policiais e exibiram faixas e cartazes com palavras de ordem, como “golpe”.

DIÁLOGO – A TARDE procurou a Secretaria da Segurança Pública para saber que tipo de providências o governo adotaria para garantir a segurança da população em caso de greve de policiais.

“O governo do Estado concedeu em termos gerais o maior aumento para a segurança. Quanto ao indicativo de greve, tomado pela assembléia de determinadas categorias policiais, se entende como atitude normal dentro da democracia, mas estou preparado para dialogar”, disse o secretário César Nunes por meio da assessoria de imprensa.

*Colaboraram Emanuella Sombra e Regina Bochicchio

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas