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Pleito provoca rachaduras nos partidos

Publicado sábado, 16 de junho de 2012 às 19:37 h | Atualizado em 16/06/2012, 19:37 | Autor: Biaggio Talento
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Repetindo o que tem ocorrido em vários estados, decisões de cúpula, acordos unilaterais e insatisfações de lideranças têm causado fissuras em vários partidos nesse período pré-eleitoral. O caso mais expressivo foi a rasteira que o deputado Antônio Imbassahy tomou das direções nacionais do PSDB e DEM. A convenção do PDT realizada domingo passado também expôs a divisão do partido em relação à sucessão em Salvador. Há rachaduras ainda no PTC, PP e PR.

A “puxada de tapete” que Imbassahy levou teve origem em São Paulo. Os sultões da política brasileira consideram a eleição na principal capital do País como fundamental para o pleito presidencial de 2014. O ex-presidente Lula está obcecado em levar o PT à vitória para quebrar a hegemonia do PSDB na cidade. Ele resolveu ungir candidato seu ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

A reação tucana veio em forma da “convocação” de José Serra para disputar a prefeitura, a mesma que prometera (e não cumpriu) não abandonar quando se elegeu prefeito em 2004. Confirmada a disputa Serra-Haddad, os partidos partiram para negociar alianças. O DEM ofereceu apoio a Serra em São Paulo e em troca obteve o mesmo na eleição em Salvador, única capital em que o minguado Democratas tem chances de vitória. Resultado: a candidatura de Imbassahy dançou. Além do mais, a manobra de Neto jogou por terra as negociações entre os três partidos de oposição ao PT na Bahia (DEM, PSDB e PMDB) que pretendiam lançar uma chapa única.

Neto também causou insatisfações no PDT ao negociar aliança com o presidente nacional pedetista, Carlos Lupi, que tem todos os motivos do mundo para não facilitar a vida do PT devido à sua demissão do Ministério do Trabalho.

Fora - O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, com reconhecida liderança no Estado, discursando na convenção do partido domingo passado, disse: “Não tenho 1% do prestígio que tenho como presidente do Legislativo, no partido”. Logo depois ameaçou deixar o PDT caso a aliança com Neto seja confirmada no dia 30. “Meu limite é Neto”, definiu. Mesmo com uma oposição local de 90% do PDT, se a cúpula nacional for a favor, a aliança será concretizada, o que praticamente detonaria a sigla no Estado.

Já adesão do PP à candidatura do petista Nelson Pelegrino foi negociada entre o deputado Mário Negromonte e o governador Jaques Wagner. O deputado João Leão até esboçou a vontade de se lançar candidato, mas desistiu. Das negociações ficou de fora o prefeito João Henrique, que busca uma saída honrosa para a situação. Mesmo porque, como brigou com praticamente todas as lideranças políticas do Estado, precisa estar acomodado em algum grupo poderoso para ter algum guarda-chuva quando deixar a prefeitura e não ter mais a proteção do cargo.

Wagner também costurou o acordo com o PR do ex-governador César Borges. Sintomaticamente logo após o governo federal ter confirmado a indicação de Borges para uma vice-presidência do Banco do Brasil, o deputado Maurício Trindade, liderança do PR na Bahia, que tinha simpatia pela candidatura de Pelegrino, começou a expressar insatisfação, anunciando sua pré-candidatura à prefeitura.

Já no PTC, a decisão de apoiar Pelegrino foi tomada pelo presidente nacional, Daniel Tourinho, já que o partido faz parte da base política da presidente Dilma Rousseff. A decisão foi referendada na convenção realizada

A voz discordante foi a do único vereador do PTC em Salvador, Téo Senna, líder do prefeito João Henrique. Ligado a ACM Neto, anunciou que ficará com o candidato do DEM. Mas isso de forma alguma implicará uma punição, conforme disse o vice-presidente do PTC na Bahia, Ricardo Gray. “Nós entendemos a posição do vereador, pela ligação antiga que ele tem com o carlismo”, disse, achando que as coisas se acomodam após a eleição.

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