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Políticos baianos aproveitam a folia para capitalizar votos e prestígio

Regina Bochicchio

Por Regina Bochicchio

19/02/2017 - 14:33 h

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Na segunda-feira de Carnaval, no Campo Grande, o vereador e cantor Igor Kannário (PHS) subirá no trio para arrastar a gigantesca Pipoca do Kannário, formada, desta vez, por fãs que se confundem com o eleitorado que lhe deu 11.215 mil votos nas urnas em 2016. O Príncipe do Gueto, aliado do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), no auge de sua carreira, decidiu entrar para a vida pública. Agora, ele é o maior expoente entre vereadores e deputados baianos que desfilam e organizam o Carnaval de rua.

Capitalizam a festa junto ao eleitorado ao tempo em que "brincam". Ou, no entendimento do cientista político Joviniano Neto, participam de um duplo ritual de pertencimento (leia ao lado).

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Alguns dizem bancar a festa do próprio bolso, outros têm incentivo, como é o caso de Kannário, cujo trio a prefeitura irá patrocinar. Sobre isso, Neto já disse que o cantor é apoiado muito antes de ser vereador.

Além de Kannário, que ainda está se habituando ao ofício da vereança, protagonizam momentos na folia outros dois vereadores e três deputados estaduais. Da Câmara Municipal vem Moisés Rocha (PT) que articula e busca patrocínio, organiza e brinca nos blocos de samba Alvorada e Alerta Geral.

São blocos patrocinados, em parte, pelo Carnaval Ouro Negro, do governo do estado e outra parte pela prefeitura. Seu eleitorado vem da população ligada ao samba, blocos afro e afoxés, blocos de índio. "Busco patrocínio, dou suporte, vivencio mesmo, o ano todo. No Carnaval, vou para tudo", diz ele que acaba de ser eleito presidente da Comissão do Carnaval na Câmara Municipal.

É uma imersão e uma purificação: ele (o político inserido no Carnaval) está tomando um banho de povo

O colega Suíca (sem partido) é um dos que ajudam na articulação do bloco Soweto, que reúne agentes de limpeza, segmento que representa um dos seus principais eleitores. Ele é diretor-jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza da Bahia (Sindilimp-BA). Os garis saem com o trio de samba de raiz. "A gente troca a fantasia por dois quilos de alimento. Tem o patrocínio do Ouro Negro, mas é pouco. Sou carnavalesco desde os 12 anos", diz.

O deputado Marcelino Galo (PT), com o bloco homônimo, desfilará na Mudança do Garcia ao lado do tradicional bonecão representando o bípede, pelo oitavo ano consecutivo. A Mudança é o momento da crítica política e irreverência no Carnaval e esse ano, Galo homenageia os 100 anos da Revolução Russa e dos 50 anos da Tropicália.

Revolução Russa

Galo fala para as esquerdas, seu eleitorado. Todo o material, incluindo cartazes, pirulitos e camisas têm estampas que falam da revolta bolchevique e a psicodelia.

As figuras estampadas vão de Karl Marx a Lenin até Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé. Até um vídeo foi feito para a ocasião (veja o site www.atarde.com.br/política).

"A política faz parte de tudo, inclusive do Carnaval. A Revolução Russa foi uma revolução política e a Tropicália, uma revolução cultural. São coisas que precisam ser lembradas", diz o deputado. Os textos das peças de divulgação, enviadas aos integrantes do bloco, resumem a ideia: "Lenin dizia que as revoluções são as festas dos oprimidos e dos explorados". Ou "Rosa Luxemburgo dizia que a massa não é objeto da ação revolucionária, mas sujeito dela".

Os R$ 10 mil para pagar a bandinha e o boneco de galo saíram do seu bolso. O custo das camisas é rateado entre os integrantes do bloco, que este ano reúne 2 mil pessoas.

Espiritoval

A deputada Luiza Maia (PT) sairia no bloco Anti-Baixaria, cuja cruzada é o combate à violência contra as mulheres, incluindo letras de músicas machistas. Esse ano, a verba minguou e o bloco virou Caravana, que estará em pontos da festa. O slogan: Meu Carnaval é Anti-Baixaria. "Para sair com bloco precisaria no mínimo de R$ 25 mil para camisas, banda e material para distribuir", conta. Maia ganhou projeção maior quando conseguiu aprovar a Lei Anti-Baixaria, em 2012: proíbe a contratação com dinheiro público de artistas que tenham no repertório músicas ofensivas às mulheres. Em tempos de empoderamento feminino, Maia sempre encontra quem a ouça na festa.

Já o deputado Isidório estará realizando o Espiritoval: festa evangélica, na sede da Fundação Dr. Jesus, instituição que dirige, voltada a adictos, ou "traquinos", como ele diz. São os seus eleitores. No Espiritoval é ele quem interpreta canções de Carnaval adaptadas como "Corre, corre Satanás, que lá vem Jesus". Ou ainda, "Quanta tristeza, quanta alegria, olha quanta gente no salão / Jesus Cristo está chorando de amor e de alegria, por causa da salvação" - adaptação da música Máscara Negra, de Zé Kéti.

Ele ainda avalia se levará a palavra aos circuitos oficiais da festa, como faz há anos. "Sou mais útil cantando para os traquinos. Nas ruas, tudo está violento. Mas seu telefonema é um sinal. Vou avaliar ir ao Carnaval", disse.

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