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Presidente frustra esperanças de prefeitos por mais recursos

Regina Bochicchio
Por Regina Bochicchio
União dos Municípios da Bahia (UPB) prevê cenário de agonia financeira
União dos Municípios da Bahia (UPB) prevê cenário de agonia financeira - Foto: Margarida Neide | Ag. A TARDE

O veto parcial da presidente Dilma Rousseff (PT) ao projeto de lei de partilha dos royalties do petróleo para todos os estados e municípios brasileiros acabou com a esperança dos prefeitos baianos de terem um recurso a mais em 2013, que promete ser ainda mais duro que 2012.

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Luiz Caetano (PT), que participou do Encontro de Orientação de Prefeitos com Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), nesta sexta-feira, lamenta a decisão da presidente. Diz que o cenário de 2013 para os prefeitos eleitos e reeleitos na Bahia é de "agonia" financeira.

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Diálogo - De acordo com estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgado semana passada, a arrecadação das 417 cidades baianas com royalties saltaria de R$ 168,3 milhões (2011) para R$ 510,4 milhões em 2013, dentro da nova regra, triplicando o volume de recursos.

Além da frustração do sonho dos royalties, o cenário nefasto pintado por Caetano refere-se à previsão de uma queda ainda maior do Fundo de Participação dos Municípios, cujas perdas em 2012 já ultrapassam os R$ 132 milhões, e a dificuldade de cumprir o percentual de gasto com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 54%.

Desde junho, os municípios assistem à queda média de 20% na arrecadação. Até agora, das 247 prefeituras que tiveram contas julgadas pelo TCM relativas a 2011, nenhuma teve aprovação integral (169 rejeitadas e 138 aprovadas com ressalvas).

O vice-governador Otto Alencar defendeu a mudança no Artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina que todos os empenhos devem ser pagos. "Basta uma emenda dizendo que, em caso de perda de arrecadação, fica o gestor desobrigado a cumprir o Artigo 42". Outra proposta é que sejam retirados do gasto com pessoal programas como o PET, ProJovem, PSF, Programa do Idoso e CRAS. Dessa forma, com a queda na arrecadação, o prefeito consegue manter o índice previsto da LRF e impede que as contas sejam rejeitadas.

"A sensação dos prefeitos eleitos e reeleitos é a de que eles estão indo para a forca (em 2013). E a impressão que eu tenho é que será uma geração de prefeitos mutilada pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela Ficha Limpa. Porque muitos prefeitos estão com as contas rejeitadas pela queda do FPM. Mas quando chega na imprensa, o prefeito que tem as contas rejeitadas por não ter arrecadação se confunde com o mesmo que praticou improbidade", disse Caetano.

O presidente do TCM, Paulo Maracajá, pondera que "nenhum conselheiro rejeita contas com satisfação e gosto. Rejeita porque não tem jeito". A maioria das contas, disse ele, vem sendo rejeitada, "não por desonestidade", mas por falta de ajuste técnico. Ele cita os prazos de licitação e contratação de Ocips para prestação de serviços em detrimento de concurso público.

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