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Prisões não dão força a impeachment, dizem economistas

Publicado quarta-feira, 25 de novembro de 2015 às 12:01 h | Atualizado em 19/11/2021, 07:07 | Autor: Maria Regina Silva e Mário Braga | Estadão Conteúdo
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As prisões do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), e do presidente do BTG Pactual, André Esteves, nesta quarta-feira, 25, podem paralisar as discussões sobre medidas do ajuste fiscal no Congresso, além de afastar investimentos por trazerem volatilidade e insegurança aos mercados, segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Por outro lado, a avaliação dos especialistas é de que, por ora, as ações da Polícia Federal (PF) não dão fôlego a um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), discussão que perdeu força nas últimas semanas.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, avalia que a prisão de Delcídio Amaral não altera o cenário principal da consultoria, que não contempla o impeachment da presidente. "Ainda está muito cedo para avaliar os efeitos dessa prisão. Precisamos esperar quais vão ser as repercussões disso nos próximos dois ou três dias", afirmou.

Thais pontua ainda que, devido à proximidade do recesso parlamentar, com início em 22 de dezembro, e aos prazos mais largos dos processos em tramitação no Congresso, o mercado já não esperava mudanças políticas relevantes ainda para 2015. "É preciso ver se vai ter alguma relação de curto prazo que não se esperava mais para este ano", afirmou Thais.

No mesmo sentido, outro economista, que preferiu o anonimato, avaliou que as ações de ontem e hoje da Polícia Federal, que incluem a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, surpreendem, pois havia a impressão de que, com o fim do ano, a Operação Lava Jato vinha perdendo fôlego.

Além disso, analisou, as investidas trazem mais volatilidade e insegurança para o cenário macroeconômico no curto prazo. Por outro lado, ponderou a fonte, a situação de acomodação ficou para trás. "Podia postergar um pouco o nervosismo. Essa é uma história cheia de fios desencapados", disse.

Para o economista-chefe da Quantitas Asset Management, Gustav Gorski, a prisão do líder do governo no Senado reforça ainda mais a dificuldade que a equipe econômica terá em aprovar as medidas de ajuste fiscal. "Nada do que tínhamos em relação ao fiscal era o suficiente, mas obviamente havia uma condição um pouco melhor. É claro que agora as coisas ficam bem mais difíceis, paralisadas", estimou.

Neste momento, o economista imagina que o governo vai tentar "apagar o fogo" e deixar de se concentrar nas aprovações de medidas relevantes para o andamento da economia. "Mais uma vez, o Levy (Joaquim, ministro da Fazenda) vai ficar isolado", afirmou.

Segundo o analista citado anteriormente e que preferiu não ser identificado, as prisões podem causar tumulto no curto prazo, mas podem sinalizar um horizonte mais promissor no médio prazo. "Enquanto não acabar, este momento vai continuar pesando sobre o ambiente político e econômico", afirmou. Em sua visão, por enquanto, a probabilidade de impeachment da presidente Dilma ainda é remota. "Mas é uma meada que está sendo desfiada", ressalvou.

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