Rui critica postura de Bolsonaro contra uso de máscaras

Publicado sexta-feira, 11 de junho de 2021 às 14:49 h | Atualizado em 11/06/2021, 19:28 | Autor: Da Redação

O governador Rui Costa (PT) criticou, nesta sexta-feira, 11, a postura do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em defender a desobrigação do uso de máscaras protetoras para vacinados ou já recuperados da Covid-19. Para o petista, Bolsonaro não tem “nenhuma sensibilidade com a dor e a vida humana”.

“Quem pede para o povo tirar a máscara é porque está achando pouco as quase 500 mil mortes. Num momento em que a maioria dos estados está com mais de 80% de lotação de UTI, o presidente da República falar em retirar máscaras é ser alguém que não tem absolutamente nenhuma sensibilidade com a dor e a vida humana.”, afirmou o governador durante entrega de um novo sistema de abastecimento de água no município de Ibotirama nesta sexta.  “É algo que eu não consigo entender. Foge de qualquer racionalidade alguém que representa um país com esse comportamento”, completou Rui. 

A Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Democracia da Câmara de Salvador, vereadora Marta Rodrigues (PT), classificou a declaração de Bolsonaro como “uma demonstração do alto nível de periculosidade que ele representa a nível nacional e internacional”. 

“Estamos chegando em meio milhão de mortes, o país só tem 11% de sua população imunizada, com as vacinas chegando numa lentidão explicitamente vergonhosa diante do mundo. Bolsonaro se mostra o maior inimigo do povo brasileiro ao tentar desobrigar o uso máscaras, levando a população à reinfecção e e à beira da morte. A história não perdoa os genocidas“, disse. 

Para Marta, o discurso do presidente contrário à obrigatoriedade das máscaras, mesmo para pessoas que tenham sido imunizadas, vai contra todas as orientações nacionais e internacionais na área da saúde e do controle da pandemia. “O que estamos assistindo desse homem é um deboche com meio milhão de mortes, é ter a morte como projeto de governo, principalmente a morte do povo pobre. Temos um psicopata no Planalto, mas a gente vence na luta e na resistência”, destacou.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) acredita que o movimento de Bolsonaro colocou o ministro Marcelo Queiroga numa "saia justa". Para o senador, Queiroga deveria pedir demissão do cargo.

"Se ele acatar o pedido do presidente e fizer um parecer desobrigando o uso da máscara, vai contra o que ele disse na CPI nesta semana. Vai ficar desmoralizado. O presidente colocou ele numa saia justa, eu acho que ele deveria pedir demissão", afirmou Otto ao blog do jornalista do Globo News, Valdo Cruz. 

Médico de formação, Otto afirmou que Queiroga, em seu segundo depoimento à CPI da Covid, contrariou Bolsonaro. "O presidente não engoliu o que o Queiroga falou na CPI, que a cloroquina não tem eficácia. Ele, quando quer tirar um ministro, começa a desautorizá-lo”. 

"Se o Queiroga ficar e fizer o parecer, não tem altivez, personalidade, porque não é possível que ele vá se submeter a fazer um parecer como esse, com a doença em ascensão, com a terceira onda correndo o risco de chegar", acrescentou.

O presidente do Partido dos Trabalhadores da Bahia (PT-Ba), Éden Valadares, criticou o presidente.

“Não bastasse receitar cloroquina e trabalhar contra a vacina, Bolsonaro agora manda as pessoas retirarem as máscaras. Ele não tem empatia nem compaixão com a vida das pessoas, e a CPI da Covid já tem provas robustas da sua responsabilidade no agravamento da pandemia”, destacou Éden Valadares.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), classificou a ideia do presidente como "mais um ato de irresponsabilidade". Segundo Doria, Bolsonaro reafirma sua condição de negacionista e irresponsável. 

"Jair Bolsonaro não tem compaixão e não tem nenhum apreço pela vida, principalmente pela vida do povo brasileiro", afirmou.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, afirmou que a fala do presidente Jair Bolsonaro é um “discurso necrófilo”. 

“O discurso de Bolsonaro pronunciando-se pela dispensa da máscara, mais do que um ato temerário, constitui, na realidade, um inconcebível ‘discurso necrófilo’ que é rejeitado pela Ciência e que não pode nem deve ser acolhido por razões de sensatez, de responsabilidade e de respeito e preservação da vida e da saúde do povo brasileiro!”, afirmou Celso de Mello.

Recuo 

Após a repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 11, que caberá ao ministro da Saúde, governadores e prefeitos dar a palavra final sobre o uso de máscaras. 

"Ontem pedi para o ministro da Saúde fazer um estudo sobre máscara. Quem já foi infectado e quem tomou a vacina não precisa usar máscara. Mas quem vai decidir é ele, vai dar um parecer", disse a jornalistas na estrada do Palácio do Alvorada.

O próprio ministro Queiroga, poucas horas depois de Bolsonaro anunciar a controversa medida, afirmou que o “qQueremos que [o não uso da máscara] seja o mais rápido possível, mas para isso precisamos vacinar a população brasileira e avançar"

Questionado se avalia que houve pressão de Bolsonaro, Queiroga negou.

"O presidente não me pressiona, não. Sou o ministro dele e trabalhamos em absoluta sintonia. E assim funcionam as democracias do regime presidencialista. E o presidente sempre nos aconselha de maneira muito própria. E levo a ele os subsídios para que tenhamos as melhores decisões em relação à saúde pública", disse.

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