LIXO ACUMULADO
Salvador amanhece sem garis: entenda o impasse no Senado que levou à paralisação
Categoria cobra votação de projeto que cria piso salarial nacional


Às vésperas do Dia do Trabalhador da Limpeza Urbana, celebrado em 16 de maio, garis e profissionais da limpeza urbana que atuam em Salvador aderiram a um movimento nacional e paralisaram as atividades nesta quinta-feira, 15, como uma forma de pressionar o Senado Federal.
A categoria cobra que os senadores votem o Projeto de Lei (PL) 4146/2020, que cria um piso salarial nacional de R$ 3.036 e amplia direitos trabalhistas, como vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.

Na capital baiana, todos os profissionais da coleta de resíduos suspenderam as atividades. E a situação pode se repetir nos próximos dias, com possibilidade de greve, caso a pauta reivindicada não avance no Congresso Nacional.
Se isso acontecer, o impacto pode ser significativo, já que a coleta de lixo é um dos serviços mais essenciais para o funcionamento da cidade.
Esse alerta foi feito pelo dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza Pública e Terceirizados da Bahia (Sindilimp-BA), Luiz Carlos Suíca, em entrevista ao portal A TARDE.
Em alguns bairros de Salvador, a coleta de lixo já é horrível. Imagine depois de uma paralisação de 24 horas? Ainda não é greve, mas, se não surtir efeito daqui a dois ou três dias, isso vai se repetir em uma proporção maior
Luiz Carlos Suíca
Confira ato na capital baiana:
Descaso ou morosidade?
O projeto de lei está parado há cerca de dois meses e meio no Senado, desde que foi enviado pela Câmara dos Deputados, em março deste ano.
Representantes sindicais aguardam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encaminhe o texto para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente presidida pelo senador baiano Otto Alencar (PSD-BA).
Até o momento, porém, não houve avanço. Suíca e outros líderes sindicais chegaram a ir a Brasília nesta semana para uma reunião com Alcolumbre, mas afirmam que não foram recebidos.
“Neste momento, 60 senadores já assinaram o projeto pedindo urgência na votação. Davi Alcolumbre, no entanto, está procurando subterfúgios para não pautar. Chegou a marcar uma reunião com as lideranças nacionais nesta semana, mas sequer nos recebeu. É uma falta de respeito”, criticou.
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Sem avanço nas conversas com Davi Alcolumbre, Suíca afirmou ter se reunido com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), que, segundo ele, vem apoiando a pauta da categoria ao lado de Otto Alencar.
“Otto está nos ajudando, mas não consegue avançar com o projeto porque aguarda Alcolumbre encaminhar o texto para análise da CCJ. Ao meu ver, o presidente do Senado é irresponsável ou responsável por todo esse possível acúmulo de lixo que pode ser visto nas cidades.”
O portal A TARDE entrou em contato com Otto Alencar e com a assessoria de Davi Alcolumbre para entender os motivos da demora na tramitação do projeto, mas ainda não obteve retorno.
Situação preocupa prefeito de Salvador
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que a paralisação dos trabalhadores da limpeza urbana já traz impactos para a cidade.
Quando acontece uma paralisação nacional como essa, traz consequências para a cidade. Vamos precisar de três a quatro dias para deixar a cidade, digamos assim, novamente zerada. Tudo o que não está sendo coletado hoje exigirá pelo menos três dias de coleta normal para que a situação seja regularizada
Bruno Reis - Prefeito de Salvador
A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira, 15, durante conversa com a imprensa.
Diante da situação, Bruno pediu a compreensão da população para manter a limpeza das ruas.


