adblock ativo

Tasso diz que PSDB tem de ser mais nacional

Publicado terça-feira, 12 de dezembro de 2006 às 00:21 h | Atualizado em 12/12/2006, 00:21 | Autor: Agência Estado
adblock ativo

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, admitiu ontem à noite que os tucanos não souberam defender a privatização durante a campanha presidencial, e que nas discussões que o partido organizará, em 2007, terá de “ficar mais nacional”. Fez também uma forte crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por ter mandado cortar o fornecimento de gás a siderúrgicas do Ceará, para cumprir acordos feitos com a Bolívia.



"Me dói na pele”, disse o líder tucano, “ver o Lula levar pancada do Evo Morales e ela ser redistribuída para nós, cearenses”. Tasso chamou Lula de omisso e observou que, “em questões de Estado, de soberania, você tem que se impor e ele tratou a coisa como brincadeira de companheiro”.



Numa avaliação dos erros cometidos pelos tucanos na campanha presidencial, Tasso afirmou que, durante a campanha eleitoral, “o PSDB não soube defender a privatização, diante de um PT que levou adiante as privatizações do Banco do Estado do Ceará, do de Santa Catarina, e a maior de todas as privatizações, que são as PPPs”. Sobre a rediscussão do partido, no ano que vem, disse que serão postos na mesa alguns temas como “o que somos hoje?”, ou “que tipo de capitalismo e papel do Estado queremos?” O tucano disse também estar convencido, hoje, de que “o presidente Lula sabia de tudo” durante as denúncias de corrupção de 2005.



Para o senador, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas regiões pobres do interior, deveu-se a um conjunto de fatores - o grande aumento do Bolsa-Família, a expansão do crédito consignado, e o programa do Pronaf que criou um sistema de empréstimo rural pouco divulgado.



Por esse sistema, um microprodutor levava um empréstimo de R$ 1.000, por exemplo, para pagar só daqui a dois anos, e com abatimento de 30%. “Essas pequenas cidades viveram um clima econômico de euforia”, afirmou, “e pagaram com o voto”.



Tasso afirmou ainda, no Roda Viva, que o País atravessa uma grande crise de valores, criada com ajuda do governo do PT. “Houve um momento em que denúncias de corrupção foram se banalizando e a saída do governo foi colocar o fato como coisa intrínseca da vida nacional. Isso foi absorvido pela sociedade e deu-se então uma quebra total de valores”, comentou. Tal fenômeno até estimulou outros hábitos das pessoas, segundo o senador, de desobedecer leis do trânsito, levar pequenas vantagens - “e assim se cria um momento perigosíssimo na vida nacional”. Desse cenário fazem parte coisas como os aumentos propostos no Judiciário ou a queda da cláusula de barreiras no Supremo Tribunal Federal”.



Tasso avisou ainda, na entrevista, que em breve começará a aparecer um sério problema entre os nordestinos: eles terão de pagar os empréstimos consignados. As parcelas serão retiradas automaticamente dos seus benefícios, como o Bolsa-Família, e a renda de todos eles vai se reduzir. “Isso vai levar o Nordeste a uma grande crise”, advertiu.

adblock ativo

Publicações relacionadas