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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Wagner confirma candidatura ao Senado após ser alvo de busca e apreensão

Senador foi alvo da Operação Compliance Zero nesta quinta, 18, e negou acusações

Leo Almeida
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| Atualizada em
Wagner é líder do governo no Senado
Wagner é líder do governo no Senado - Foto: Carlos Moura | Agência Senado

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), garantiu a permanência de sua candidatura à reeleição apesar de ter sido alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira, 18.

Segundo o senador, não há motivos para a retirada da candidatura e, além disso, ele garantiu que não possui relação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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Minha candidatura está absolutamente mantida. Estou muito seguro de tudo que fiz, estou muito seguro da minha vida pessoal. Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF. Não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento, que é onde moro, e meu sítio em Andaraí, este é meu patrimônio e está declarado no Imposto de Renda. Em 2018 eu era candidato, fui alvo de busca e apreensão no caso da Fonte Nova e fui o senador mais bem votado da história. Não tenho porque retirar minha candidatura”, afirmou Jaques Wagner em entrevista à TV Band.

O senador também revelou que recebeu ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o qual teria prestado solidariedade após a operação. Questionado sobre uma possível retirada da liderança governista no Senado, Wagner enxergou como “muito difícil”.

“A liderança do governo fica a cargo do presidente [Lula], com quem falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que ele tem em mim. [...] Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça para me retirar", declarou ele.

A busca e apreensão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou parcialmente medidas de busca e apreensão em endereços vinculados a Wagner, a seus familiares e a gestores do antigo Banco Master.

A Polícia Federal apura se gestores do Banco Master teriam repassado vantagens indevidas ao senador em troca de influência parlamentar.

Um dos supostos indícios encontrados pela PF seria a aquisição de apartamento no empreendimento de luxo “Poème Horto”, no valor de R$ 2,5 milhões. A PF sustenta que Jaques Wagner teria enviado os dados da unidade e do corretor para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que então teria operacionalizado a compra por meio de estruturas societárias para ocultar o beneficiário final.

O segundo eixo foca na empresa BN Financeira Ltda., vinculada ao núcleo familiar do senador, especificamente ao seu enteado, o secretário de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Sodré. As investigações identificaram uma transferência de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações (ligada a Augusto Lima) para a BN Financeira.

A contrapartida para essas vantagens seria a atuação de Jaques Wagner no Senado em temas de interesse do Banco Master. Um dos pedidos seria a atuação favorável a uma emenda apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI) para o aumento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A busca e apreensão na manhã desta quinta resultou na apreensão de cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil), 33 mil euros (R$ 196,3 mil), além de dois celulares de Wagner.

Wagner nega imóvel e atuação como lobista

O senador baiano explicou os diálogos com Augusto Lima para a aquisição do apartamento e alegou que não houve transferência de patrimônio. Wagner afirmou que contactou o empresário para que Lima comprasse o imóvel primeiro e o revendesse depois para a sua filha.

“É um apartamento que está em construção aqui no Horto e eu tinha o interesse de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima é um investidor eu disse a ele: você pode comprar e depois eu vou recomprar, porque o apartamento está em construção, não está pronto. Eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar. Não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim”, alegou Wagner.

Sobre a suposta atuação como lobista do Banco Master no Congresso Nacional, o senador esclareceu que encaminhou o voto contrário ao aumento do FGC, que seria de interesse de Vorcaro. Além disso, Wagner reforçou que votou favorável à instalação da CPI do Banco Master “por não ter qualquer preocupação” com as investigações.

“O governo foi contra e eu como líder do governo encaminhei contra essa emenda de ampliação do Fundo Garantidor. (…) Eu assinei a CPI do Banco Master, apesar de que não sei o que a CPI do Banco Master poderia acrescentar, porque, na verdade, as investigações já foram longe. Do meu ponto de vista, está tudo exposto, mas fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação com relação a essa CPI. Se ela for instalada, aí depende do Congresso, eu eventualmente participarei” disse o petista.

O dinheiro em espécie e a relação com Vorcaro

Ao longo da entrevista, Wagner também declarou que os US$ 49 mil encontrados pela PF são referentes a diárias recebidas do Congresso Nacional para viagens ao exterior, além de parte ser uma quantia comprada pelo senador.

"O dinheiro, várias vezes viajei pro exterior. Mandei até levantar: de diária eu recebi 70 mil dólares. Eu fui viajar e comprei via Banco do Brasil. Então não tenho nada para esconder desse dinheiro. Do ponto de vista do dinheiro, estou absolutamente tranquilo", esclareceu.

Jaques Wagner também disse não ter relação com Daniel Vorcaro, tendo encontrado o banqueiro apenas em duas ocasiões. Na primeira, Augusto Lima, o apresentou a Vorcaro quando ele passou a ser sócio no Credcesta. Na segunda, Wagner disse que o empresário pediu a ele uma indicação de um consultor jurídico para o Banco Master.

“Eu nunca tive participação em nenhuma conversa com Daniel Vorcaro. Eu conheci esse senhor duas vezes: a primeira vez foi que ele virou sócio de Augusto Lima; e a segunda vez foi quando levei o ministro Lewandowski porque Augusto Lima me pediu uma indicação e eu fui levar para apresentar o ministro. Fora isso, nunca estive com ele [Vorcaro]”, relatou.

Wagner também comentou sobre uma mensagem que teria sido enviada por Augusto Lima ao senador em 29 de março de 2025. Na conversa, o empresário escreveu: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”.

“As palavras do Augusto Lima, que eu sinceramente não me lembro, mas que foram relatadas por alguém à PF, na minha opinião, o que ele quis dizer é que eu conheço a história dele e eu conheço. Ele era vendedor de consignado, era uma pessoa que trabalhava e que resolveu adquirir a Cesta do Povo, que era um trambolho que eu recebi dos governos anteriores, que a gente privatizou”, opinou Wagner.

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Banco MAster Compliance Zero JAQUES WAGNER

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